Archive for the ‘ Santos ’ Category

Desespero tomou conta…

Diego Ribeiro
GLOBOESPORTE.COM


O gol tardio de Barcos não enganou a torcida do Palmeiras, que vaiou o time ao final do empate com o Botafogo, neste domingo, em Araraquara. Alguns, já prevendo o desastre, choravam. O rebaixamento para a Série B, faltando quatro rodadas para o fim do Campeonato Brasileiro, é cada vez mais realidade pelos lados do Verdão. Fazer o simples nem sempre é tão fácil. O Palmeiras de Gilson Kleina é capaz de provar isso. No discurso, tudo muito bonito: não inventar, tocar fácil, fazer o básico. Na prática… Sabendo disso, o Botafogo de Oswaldo de Oliveira se portou de maneira correta, esperando a primeira falha palmeirense para armar o contra-ataque. O Verdão, mais uma vez, foi superior ao seu adversário. A irritação deu lugar à paciência, postura que animou o pequeno público presente em Araraquara – uma decepção, já que o time precisa demais do apoio do torcedor. Tudo ia bem, até que Maurício Ramos não fez o simples. Justo ele, que durante a semana cobrou tranquilidade dos seus companheiros. Aos 21, resolveu sair jogando, Andrezinho roubou, quatro botafoguenses dispararam e Lodeiro chutou, a bola caprichosamente bateu na trave e voltou na cabeça do uruguaio para fazer 1 a 0. O Botafogo, sim, fazia o básico.

Depois do gol, a torcida ensaiou um protesto, gritando que se o Palmeiras não ganhasse o “bicho ia pegar”. Ainda assim, o pirata Barcos acordou, buscou jogo, tentou tabelas. Mesmo assim, nada levava perigo à meta de Jefferson. Sem imaginação no meio-campo, sobrou para a bola parada de Marcos Assunção. Aos 28, cobrança de escanteio na cabeça de Patrick Vieira, que desviou para Barcos empatar, quase debaixo das traves. O coração palmeirense se esperava novamente.

O Botafogo começou o segundo tempo com marcação no campo de ataque, pressionando a saída de bola alviverde. Sempre com seu bloco de quatro jogadores bem definido: Andrezinho, Fellype Gabriel e Lodeiro em linha, e Bruno Mendes mais avançado. Mais ligado, o Alvinegro, enfim, descobriu o caminho para irritar um Palmeiras que vive altos e baixos na parte psicológica. Gesticulando muito, Oswaldo pedia para seus jogadores rodarem a bola de um lado a outro do campo.

Quando Gilson Kleina mandou Maikon Leite para o aquecimento, a sensação era de que ele sacaria seu jogador mais irritado. No entanto, o palmeirense ousou e tirou Artur, deixando a equipe com três atacantes para tentar retomar as rédeas do jogo. No plano tático, deu certo. O Verdão passou a pressionar, mandar no jogo. O panorama era todo alviverde. Faltou técnica. De novo, o “simples” não apareceu. Luan, duas vezes, Maikon Leite e Patrick Vieira tiveram a bola do jogo quase na pequena área, em lances semelhantes. Nas quatro vezes, perderam suas oportunidades. O castigo foi duro, quase um nocaute. De novo, Maurício Ramos, em dia para ser esquecido. Aos 18 minutos, ele perdeu uma disputa com Lodeiro, que cruzou na cabeça de Elkeson – o atacante acabara de entrar no lugar de Fellype Gabriel: 2 a 1 para o eficiente Botafogo.

Nos 30 minutos que sucederam o gol de Elkeson, o pesadelo das chances perdidas se repetiu no Palmeiras. E tome bola na trave de Maikon Leite, defesa de Jefferson em chute do mesmo atacante, tropeço de Patrick Vieira com o gol vazio, bola de Barcos que a zaga salva em cima da linha…O Palmeiras martelava, martelava, martelava… Torcedores se desesperavam nas arquibancadas. Nas finalizações, um verdadeiro massacre. Tinham sido 21 tentativas de gol verde contra sete do Alvinegro. Aos 45 minutos, Barcos, apareceu – de novo! – na sua missão de salvador. O argentino dominou no peito dentro da área, deixou a bola pingar e encheu o pé esquerdo no ângulo de Jefferson. Palmeiras 2 x 2 Botafogo.

No próximo domingo, se perder para o Fluminense em Presidente Prudente, o Palmeiras já pode ser oficialmente rebaixado, caso Bahia e Portuguesa vençam Cruzeiro e Botafogo, respectivamente. Já o Botafogo lamentou demais o gol sofrido no fim. O time foi aos 51 pontos e continua a oito do São Paulo. O Fogão encara a Lusa, sábado, no Engenhão.

No Morumbi, teve clássico das duas melhores equipes do segundo turno. Aliás, os atacantes Fred e Luis Fabiano são os principais artilheiros do campeonato e provaram que, com eles em campo, todo cuidado é pouco. Os zagueiros Gum, do Flu, e Rafael Toloi, do Tricolor paulista, não tiveram essa precaução. Falharam em lances capitais e permitiram o empate por 1 a 1. O jogo marcou o recorde de público desta edição do Brasileiro: 54.118 pagantes. O empate deixa o Fluminense, com 73 pontos, soberano na liderança e muito perto do título, com chances de ser campeão já no próximo domingo. Já o São Paulo, com 59, se consolida cada vez mais na quarta posição, a última do grupo que garante vaga na Taça Libertadores.

Nos outros jogos da rodada 34, Neymar deu show mais uma vez, e o Santos atropelou o Cruzeiro, fora de casa. O Sport manteve vivo o sonho de permanecer na Série A, passando por cima do desestruturado Vasco. O Bahia foi outro a aumentar suas chances de continuar na elite ao sair vitorioso do confronto direto contra a Portuguesa, no Canindé. E o Atlético/MG praticamente sepultou suas chances de ser campeão ao perder para o Coritiba, no estádio Couto Pereira.

*Rodada 34*
Sábado – 03/11/2012
Flamengo 1 x 0 Figueirense – Raulino de Oliveira/Volta Redonda(RJ)
Cruzeiro 0 x 4 Santos – Independência/Belo Horizonte(SP)
Grêmio 1 x 0 Ponte Preta – Olímpico/Porto Alegre(SP)

Domingo – 04/11/2012
Vasco 0 x 3 Sport – Volta Redonda/Rio de Janeiro(RJ)
São Paulo 1 x 1 Fluminense – Morumbi/São Paulo(SP)
Portuguesa 0 x 1 Bahia – Canindé/São Paulo(SP)
Atlético/GO 0 x 2 Corinthians – Boca do Jacaré/Brasília(DF)
Náutico 3 x 0 Inter – Aflitos/Recife(PE)
Palmeiras 2 x 2 Botafogo – Fonte Luminosa/Araraquara(SP)
Coritiba 1 x 0 Atlético/MG – Couto Pereira/Curitiba(PR)

CLASSIFICAÇÃO P
1 Fluminense 73
2 Atlético/MG 64
3 Grêmio 63
4 São Paulo 59
5 Inter 51
Botafogo 51
7 Vasco 50
Corinthians 50
9 Santos 46
10 Coritiba 45
Naútico 45
12 Flamengo 44
13 Cruzeiro 43
Ponte Preta 43
15 Portuguesa 40
Bahia 40
17 Sport 36
18 Palmeiras 33
19 Figueirense 29
20 Atlético/GO 23

(Fotos: Célio Messias-Agência Lance/ Helio Suenaga-Gazeta Press/ Edson Lopes Jr-Terra/ Giuliano Gomes-Gazeta Press)

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Palmeirenses ‘Aflitos’…

Diego Ribeiro
GLOBOESPORTE.COM

O drama do Palmeiras cresce a cada rodada, e o Náutico se aproxima da tranquilidade no Campeonato Brasileiro. Justamente nesse estádio e com requintes de crueldade para o torcedor paulista, o Timbu foi, mais uma vez, implacável em seus domínios. E como se não bastasse o momento turbulento, a sorte deixou de acompanhar o Palmeiras. O primeiro tempo contra o Náutico foi uma exata demonstração de que a fase é das piores. O Verdão teve nas mãos o controle da partida, ignorou a força dos pernambucanos em casa, criou chances claras, mas voltou para os vestiários em desvantagem no placar.

Apesar dos desfalques, principalmente de Marcos Assunção e Barcos, os paulistas começaram a partida pressionando. Foram mais de dez minutos de amplo domínio. Oportunidades não faltaram. Primeiro, Felipe salvou em chute forte de Luan. Depois, sem goleiro, Obina desviou na pequena área, mas Alison salvou sobre a linha. O Verdão, porém, pagou caro por se abrir e perder as oportunidades. Com a defesa rival exposta, o Náutico precisou de apenas uma chance para marcar. Aos 13, o artilheiro Kieza aplicou um belo drible em Thiago Heleno na área e, com estilo, colocou a bola no canto esquerdo de Bruno, aumentando o desespero verde.

Ao contrário de outras partidas, o Palmeiras não entrou em desespero com o gol sofrido. O Timbu se retraiu à espera de um novo contra-ataque e permitiu que o adversário chegasse novamente. Mas, por outro lado, as chances diminuíram. Já na volta para a etapa final, os visitantes não conseguiram manter o mesmo ímpeto. O Náutico voltou mais bem posicionado defensivamente, parou de errar tanto e impediu uma nova pressão. De quebra, poderia ter decidido a partida antes dos dez minutos. Araújo parou em bela defesa de Bruno na área, e Rhayner carimbou a trave.

O drama aumentou a partir dos 17 minutos. Nitidamente mais nervoso, o Palmeiras perdeu o zagueiro Thiago Heleno, expulso após uma falta em Araújo. O lance foi suficiente para descontrolar ainda mais a equipe. Sem a mesma troca de passes da etapa inicial, o time passou a viver de lances isolados, como um perigoso chute de Obina que passou próximo ao ângulo esquerdo de Felipe.

Gilson Kleina ainda tentou de tudo para fazer o Verdão reagir. Betinho, Patrick Vieira e Vinicius entraram, mas pouco fizeram para mudar o comportamento da equipe. A única chance de perigo surgiu aos 37. Após cruzamento da Tiago Real, Luan tentou pegar de primeira na área e jogou para longe a última chance. Coube ao Náutico conter a tentativa de abafar dos paulistas e administrar a vantagem para praticamente se garantir na Série A no próximo ano. Meta que, a cada rodada, está mais distante de ser cumprida no Palmeiras. Náutico 1 x 0 Palmeiras. O resultado deixa o Palmeiras com 26 ponos e em péssima situação, no 18º lugar. A oito rodadas do fim, a diferença para o Bahia (derrotado pelo Coritiba), último a se salvar neste momento, permanece em nove pontos.

Já no Morumbi, Rogério Ceni pisou no gramado do estádio do São Paulo pela quingentésima vez. Para presenteá-lo, o São Paulo resolveu dar o que o goleiro mais gosta: dedicação, raça, vontade e disposição. Receita que, mesmo executada por apenas 30 minutos, foi fatal para o frágil Figueirense. A vitória por 2 a 0, com gols de Luis Fabiano e Douglas, e mais a derrota do Vasco para o Santos pelo mesmo placar levaram o Tricolor pela primeira vez ao G-4 do Brasileirão. O time catarinense está ainda mais perto do rebaixamento.

Nos outros jogos da rodada 30, o Fluminense manteve os nove pontos de folga na liderança do campeonato, mas com uma dose considerável de sofrimento e outro punhado de polêmica. Após levar gol no primeiro minuto da partida em São Januário, os lances do triunfo tricolor foram questionáveis: o de Fred nasceu de um pênalti marcado em toque de mão duvidoso de Luan, e o de Gum se originou em falta inexistente sobre Marcos Junior. O Atlético/MG também venceu, 2 a 1, também de virada, pra cima do Sport. Do peltão da frente, o único a não vencer foi o Grêmio, que empatou com o Grêmio em 1 a 1.

Santos Campeão da Recopa Sulamericana!!!

Marcelo Hazan
GLOBOESPORTE.COM


Teve frio, Neymar perdendo pênalti e pressão do Universidad de Chile. Mas diferentemente do jogo realizado no distante 22 de agosto, em Santiago, o craque de moicano fez seu gol, comandou o time e ajudou o Santos a alcançar a vitória sobre a Universidad do Chile, que rendeu o inédito título da Recopa Sulamericana, que reúne o campeão da Libertadores e da Copa Sulamericana, ambas do ano passado, ao Alvinegro.

O primeiro tempo no Pacaembu pareceu uma reprise da etapa inicial do jogo de ida entre Santos e Universidad de Chile, no congelante Estádio Nacional, em Santiago, no dia 22 de agosto. Neymar novamente conduziu todas as principais jogadas alvinegras, assim como no Chile. E La U, de forma coletiva, respondeu à altura. Mas a diferença, para alegria dos santistas, foi Neymar jogando como Neymar. O craque mostrou muita vontade desde o início, lances de efeito, como toques de letra e até chapéu, eram exibidos com naturalidade pelo camisa 11. Aos 27, Felipe Anderson arrancou até a linha de fundo e achou Neymar. De forma inteligente, ele usou André como parede. O centroavante devolveu belo passe para o craque, que só deslocou Jhonny Herrera.

Com 43 minutos, o Peixe teve a chance de ampliar. Neymar dominou pelo lado direito e foi pra cima de dois marcadores, girou o corpo e foi derrubado dentro da área. Pênalti que ele mesmo cobrou – mal – nas mãos de Herrera. No jogo de ida, o camisa 11 também errou, mas isolando por cima do gol de Herrera, após escorregar no momento da finalização. No intervalo, o técnico da Universidad de Chile, Jorge Sampaoli, fez duas mudanças. Aparentemente, as substituições surtiram efeito. Em um dos primeiros lances da etapa final, quase saiu o empate. Ubilla aproveitou sobra dentro da área e, de cabeça, mandou por cima do gol de Rafael.

Com 1 a 0 no placar, a partida ficou eletrizante e aberta para os dois lados. Enquanto La U tentava a igualdade, o Alvinegro respondia quase sempre com Neymar, para tentar fechar o placar e definir o título. Depois de certa indefinição, foi o Santos que conseguiu seu objetivo primeiro. Na bola parada, Felipe Anderson cruzou na cabeça de Bruno Rodrigo, que desviou para o canto esquerdo de Herrera, inflamando novamente o Pacaembu, aos 15 minutos.

Ao som de “o campeão voltou” entoado pelos santistas, o Peixe levantou o título da Recopa, inédito para o clube neste formato, e manteve a média de duas conquistas por temporada, tradição desde 2010. Santos 2 (2) x (0) 0 Universidad do Chile. Em 2010, o Peixe levou a Copa do Brasil e o Paulistão. No ano seguinte, novamente Paulistão e a Libertadores. Agora, nesta temporada, além do estadual, conquista a Recopa. Foi o sexto título de Neymar com o Santos em quatro anos como profissional, o primeiro com a tarja de capitão.

(Fotos: Ricardo Matsukawa-Terra)

Sob os olhares do maestro…

Diego Ribeiro e Leandro Canônico
GLOBOESPORTE.COM


O fim de semana começou com festa para o São Paulo e com pressão para o Cruzeiro. E dentro de campo os dois ambientes se confirmaram. Muito embora a partida deste domingo não tenha sido um espetáculo, a festa do Tricolor na apresentação do reforço Ganso valeu o ingresso dos 40.457 torcedores. Antes do jogo, o sorriso estampado no rosto evidenciou bem a felicidade de Paulo Henrique Ganso. Na apresentação do jogador, que assinou contrato por cinco temporadas, a festa foi digna de um craque. Craque empolgado com essa nova oportunidade na carreira, que afirmou que desde a primeira conversa com o São Paulo, há mais de um mês, teve a certeza de que o Morumbi seria o seu destino.

Anunciado por sistema de som, o meia entrou em campo pelo túnel do vestiário e foi recepcionado por dezenas de crianças, que soltaram balões vermelhos, brancos e pretos. O agora camisa 8 do Morumbi, subiu totalmente uniformizado, acenou para a torcida, deu volta olímpica no carrinho da maca e foi extremamente ovacionado pela torcida tricolor. Chamado de maestro por sua qualidade técnica, Ganso foi acompanhado de um mascote tricolor no gramado. O São Paulo, aliás, estava vestido como o líder de uma orquestra, de terno e batuta na mão. Eufórica, a torcida tricolor gritou: “ô, o Ganso é tricolor” e depois cantou o hino são-paulino. Afinal, Ganso agora é o maestro tricolor.

Os aplausos efusivos da torcida tricolor durante a apresentação de Ganso no gramado do Morumbi foram substituídos por vaias ao fim do primeiro tempo. E com razão. Os primeiros 45 minutos da partida contra o Cruzeiro foram ruins. Bem ruins. Nenhum dos dois apresentou criatividade suficiente para levar perigo ao outro lado. Mais ousado nos minutos iniciais, a Raposa teve mais posse de bola e pressionou o rival no campo de defesa. Mas não conseguiu chegar com força. Com Lucas apagado do lado direito, o São Paulo tinha apenas uma jogada ofensiva: arriscar pelo lado esquerdo, com as investidas de Osvaldo. Mas não deu certo. O atacante tricolor era até insinuante quando pegava na bola, porém não deu trabalho ao goleiro Fábio.

A ausência do machucado Luis Fabiano prejudicou os donos da casa, mas também não houve muita ação por parte da armação tricolor. No Cruzeiro, ao fim do primeiro tempo, duas alterações por conta de lesão. Borges e Souza entraram nas vagas de Wallyson e Wellington Paulista, respectivamente. Antes mesmo de o cronômetro marcar dez minutos do segundo tempo, Celso Roth foi obrigado a fazer sua terceira e última alteração. Lucas Silva entrou no lugar de Charles, que sentiu lesão em disputa de bola com o são-paulino Lucas. Se do lado mineiro os problemas eram as lesões, do lado tricolor eram as finalizações. Com apenas duas no primeiro tempo, o São Paulo continuou mal nesse quesito na etapa final. Ney Franco, então, decidiu sacar Willian José, substituto do machucado Luis Fabiano, e mandar a campo o garoto Ademilson.

Coincidência ou não, Ademilson participou das melhores jogadas do Tricolor na partida até então. Aos 22, Ademilson tabelou com Douglas. O lateral cruzou da direita, e Fábio espalmou para Osvaldo, que completou para o gol de cabeça. Em vantagem no placar, o São Paulo passou a dominar as ações da partida. Mais veloz após a entrada de Ademilson, o time pressionou e não deu espaço ao Cruzeiro.

Quando tinha a bola, a Raposa trocava muitos passes à procura de uma brecha na defesa são-paulina. Não encontrou. E teve de correr muito para segurar os contra-ataques tricolores com Osvaldo, Lucas e Ademilson. A vitória mantém o São Paulo na briga pela Libertadores e aumenta a pressão no Cruzeiro de Celso Roth. São Paulo 1 x 0 Cruzeiro. Com mais esses três pontos, o São Paulo foi a 42, em quinto, e mantém perseguição ao Vasco, com 44, na busca de um lugar na zona de classificação à Taça Libertadores da América. Já o Cruzeiro, pressionado na saída de Belo Horizonte, segue com 35 pontos, na nona posição, cada vez mais distante da briga pelo G-4.

Se o jogo do Morumbi ficou devendo tecnicamente, no Engenhão a disputa foi bem interessante. Em mais uma grande atuação de Clarence Seedorf, o Botafogo lutou, mas não saiu do empate em 2 a 2 com o Corinthians. O holandês, que voltou ao time depois de dois jogos fora por causa de uma contratura na coxa esquerda, marcou os dois gols dos alvinegros do Rio, enquanto Paolo Guerrero e Douglas fizeram para os paulistas. Já no Pacaembu, na noite de sábado, era o primeiro jogo do Santos após a venda de Paulo Henrique Ganso para o São Paulo. Mas a ausência mais sentida foi a de sempre: Neymar. Sem ele, o time foi presa fácil para a Portuguesa. O goleador Bruno Mineiro, duas vezes, e Léo Silva fizeram os gols da vitória, e André descontou para o apático Alvinegro, 3 a 1.

Mas o maior destaque do sábado foi o Palmeiras. Aliás, quando o goleiro Wilson colocou a cabeça no travesseiro naquela noite, deve ter demorado para pegar no sono. Na cabeça, só Marcos Assunção. O volante do Palmeiras infernizou a vida do rival e foi o grande responsável pela vitória alviverde por 3 a 1 sobre o Figueirense. No jogo que marcou a boa estreia do técnico Gilson Kleina no comando da equipe paulista, Assunção deu assistências para os dois primeiros gols, de Thiago Heleno e Henrique, marcou o terceiro. A vitória faz o Verdão chegar a 23 pontos e subir para o 18º lugar, ultrapassando o próprio Figueirense. Com a derrota do Coritiba para o Sport, no domingo, o Verdão está mais perto de sair da zona de risco: cinco pontos.

(Fotos: Cristiano Andújar-Agência Lance/ Marcelo Pereira-Terra/ Wagner Meier-Agif-Gazeta Press)

Paulo Henrique Ganso é do São Paulo!!!


Durou muito, muito, muuuuiiitoooo tempo. Mais especificamente 32 dias, nessa nova fase, podemos dizer assim, desde a primeira proposta realizada pelo São Paulo. Mas a novela referente ao futuro de Paulo Henrique Ganso chegou ao final na madrugada desta quinta para sexta-feira. O São Paulo finalmente conseguiu a liberação do camisa 10 junto ao Santos e anunciou o meia como mais novo reforço tricolor. Para isso, o Peixe aceitou a última proposta e receberá R$ 23,9 milhões, um pouco mais do que os 45% dos direitos econômicos que possuía. Ganso esteve na Vila Belmiro na madrugada, justamente para assinar a recisão de contrato junto ao clube praiano. E a notícia foi oficializada por volta das 2h20 desta sexta-feira. Já pela manhã, PH já estava no CT da Barra Funda, para realizar os exames médicos e conhecer as instalações do novo clube. Ele ainda se recupera de uma lesão muscular na coxa esquerda e, segundo o diretor de futebol, Adalberto Batista, deve estar a disposição em torno de 15 dias.

Depois do acordo, a situação do jogador é a seguinte: o São Paulo, que desembol sou R$ 16,4 milhões, terá 32% dos direitos de Ganso, enquanto o grupo DIS, que injetou R$ 7,5 milhões para viabilizar a transferência, amplia sua porcentagem sobre o atleta de 55% para 68%. No futuro, se o São Paulo vender o atleta por um valor superior, o clube da Baixada ainda terá direito a 5% do lucro obtido pelo rival. No começo da semana, SP e grupo DIS já haviam chegado a um acordo, mas o Santos, que já tinha aceitado o acordo inicial, surpreendeu e passou a vetar novamente a transferência, alegando àn essa altura que a forma de pagamento não o agradava mais. Para mudar a idéia do Peixe, a DIS abriu mão de sua parte na transferência (55% do valor), ajudou o São Paulo financeiramente e finalmente conseguiu a liberação.

Paulo Henrique Ganso começou a carreira nas categorias de base do Tuna Luso, do Pará, seu estado natal. Ainda passou pelo Paysandu, onde jogou pouco, antes de ser observado pelo ídolo santista Giovanni, que o levou para realizar testes no Peixe. No time de Vila Belmiro, viveu momentos Sensacionais, ao lado do amigo e parceiro de ataque Neymar. Foi Tricampeão Paulista (2010, 2011, 2012), Campeão da Copa do Brasil (2010) e Campeão da Taça Libertadores da América (2011). Jogou 154 jogos e marcou 35 gols.

Tranquilidade 2 x 0 Desespero

Alexandre Lozetti
GLOBOESPORTE.COM


Mais que um jogo. Palmeiras x Corinthians costuma ser um campeonato à parte. O vencedor volta para casa com sabor de título na boca. O perdedor quer sumir. E, neste domingo, o Timão deixou o Pacaembu com a sensação de ter empurrado ainda mais o Verdão na ladeira rumo à Segunda Divisão. Uma ladeira que parece cada vez mais íngreme. O Palmeiras apostou em vida nova, com tudo diferente após a saída de Luiz Felipe Scolari. Só o futebol não era novo. E o que dizer dos nervos? Tudo parecia sob controle, com a equipe trocando bolas e até chegando ao gol de Cássio, apesar de nenhuma jogada assim tão perigosa.

O ritmo do Timão era mais lento, mas o que será que tem esse Romarinho? O cara que havia acabado de chegar quando enfrentou o Palmeiras no primeiro turno e fez dois gols. O cara que foi à Bombonera dar o primeiro passo para o título da Libertadores. O cara que estava há oito jogos sem marcar… aos 21 minutos, após belo passe de Douglas para Martínez, Maurício Ramos conseguiu o desarme, mas Juninho não se deu conta de que estava num campeonato à parte. Tentou sair da área de cabeça baixa e, quando olhou para frente, Romarinho já havia roubado a bola e feito o gol. Já estava, aliás, comemorando em frente à torcida…do Palmeiras! Ele jura que se confundiu, pois normalmente quem fica ali no Pacaembu são os corintianos. Verdade ou não, a reação descabida de Luan e companhia provocou cartão amarelo ao autor do gol.

O árbitro Marcelo Aparecido de Souza não deu cartão amarelo a Luan por causar uma confusão generalizada, mas já havia dado antes por achar que o atacante do Palmeiras tentou simular um pênalti. Logo em seguida, quando Narciso já preparava Maikon Leite para substituir o jogador, visivelmente nervoso, o árbitro disse que viu um chute de Luan em Guilherme Andrade e o expulsou. Na sequência, um chute perigoso de Barcos e cartões a rodo: o Pirata, Martínez, Cássio, Artur. O primeiro tempo terminou com a tensão palmeirense exalando e contagiando a todos no estádio Paulo Machado de Carvalho.

Na volta para a segunda etapa, saída de Martínez para a entrada de Jorge Henrique, famoso provocador, que ouviu de Tite a instrução para pensar apenas em futebol. E com três minutos já obedeceu: de calcanhar, deixou Romarinho na cara do gol, mas o carrasco isolou. Com um jogador a mais e muito mais organizado, o Corinthians resolveu marcar no campo de ataque, uma de suas principais características. Não demorou muito, mais especificamente oito minutos, para que Danilo roubasse a bola de João Vitor e iniciasse o contra-ataque que passou por Romarinho, pelo pé direito de Douglas e pela cabeça de Paulinho antes de terminar na rede de Bruno. Um gol que levou a torcida alviverde ao desespero.

A imagem de São Marcos e do gerente de futebol César Sampaio nas tribunas dizia muito sobre a situação do Verdão. Ídolos que tanto fizeram pelo clube dentro de campo, agora impotentes diante de uma equipe nervosa e que vê o fundo do poço cada vez mais próximo. A sensação de que o placar era irreversível diminuiu o nervosismo, o Corinthians diminuiu novamente o ritmo, pareceu querer evitar problemas. O Palmeiras melhorou com as entradas de Obina e, principalmente, Tiago Real. Foi seu, por exemplo, o lançamento para Artur, que ajeitou de cabeça para Valdivia. O badalado chileno, completamente só, cabeceou para cima e perdeu um gol incrível. Seria o seu primeiro no Brasileirão. Antes, ele havia exigido de Cássio a defesa mais difícil da partida em chute de longe.

Os cartões continuaram a aparecer. Guilherme Andrade, Obina e Fábio Santos, que ganhou a faixa de capitão como presente pelo aniversário de 27 anos, foram os agraciados da vez. Já o futebol parou de aparecer, de ambos os lados. O “título” do dia é alvinegro. O desespero é alviverde. Palmeiras 0 x 2 Corinthians. No Verdão, se a permanência do interino Narciso dependia do resultado, a diretoria deverá procurar um novo comandante. Com 20 pontos, só não é o último colocado do Brasileirão porque tem uma vitória a mais que o Atlético-GO. É difícil imaginar o Palmeiras na Série A em 2013. O que foi apresentado nas 25 rodadas é pouco diante do que precisa ser feito nas 13 restantes.

No outro clássico paulista do final de semana, a torcida do São Paulo gritou o nome de quatro jogadores no Morumbi: o ídolo Rogério Ceni, o craque Lucas, o artilheiro Luis Fabiano e o santista Ganso. Sim, ele nem chegou, deve assinar contrato ainda nesta segunda-feira, mas já foi bem-vindo. Boas vindas à parte, vitória por 3 a 1 sobre a Portuguesa em que o talento individual se sobrepôs a uma atuação por muitas vezes atrapalhada e apressada. Talento principalmente de Lucas, que não fez o seu, mas infernizou os zagueiros e deu gols para Osvaldo, Cortez e Luis Fabiano decidirem o jogo.

Já no encontro entre os dois melhores ataques do país dentre os times do Campeonato Brasileiro, melhor para o segundo colocado da estatística. Mesmo atuando no Couto Pereira, o Santos virou para cima do Coritiba e venceu por 2 a 1, com mais inspirações de Neymar, autor dos dois gols santistas. Mas surpresa mesmo aconteceu nos jogos dos líderes do Brasileirão. O Náutico conseguiu anular os principais pontos do candidato ao título Atlético-MG e arrancou uma importante vitória por 1 a 0, no estádio dos Aflitos, em Recife. E no Rio de Janeiro, o Atlético/GO, lanterna, jogou como se tivesse a tranquilidade dos líderes. O Fluminense, primeiro colocado, atuou como se o mundo pesasse sobre seus ombros. A consequência natural da inversão de papéis foi a vitória do Dragão por 2 a 1, em Volta Redonda.

(Fotos: Ricardo Matsukawa-Terra/ Giuliano Gomes-Gazeta Press/ Dhavid Normando-Photocamera-Divulgação)

Desespero…


Na rodada de número 23, a goleada sofrida diante do Bahia em pleno estádio de São Januário fez com que o técnico do Vasco, Cristóvão Borges pedisse demissão do cargo de comandante vascaíno. Três dias depois, no mesmo local, o consagrado treinador Luiz Felipe Scolari pode ter feito sua última partida à frente do Palmeiras. Na zona de rebaixamento, o Verdão é o time que mais perdeu no Campeonato Brasileiro e acumulou a décima quarta derrota, caindo ainda mais, agora para a penúltima posição na tabela.

Sob os olhares já do novo treinador, Marcelo Oliveira, ex-Coritiba, o Vasco encontrou um Palmeiras bem postado no início do jogo. Marcação adiantada e pouco espaço para os anfitriões trabalharem a bola. Porém, aos poucos, a preocupação devido à necessidade da vitória, também para os cariocas, foi pesando mais para os visitantes e os comandados do interino Gaúcho começaram a se soltar dentro de campo e explorar os flancos, principalmente com o equatoriano Tenório. Com isso, os paulistas passaram a se defender mais e tentar alguma coisa apenas no contra-ataque.

Mais uma vez, o que destoava para um bom futebol era a quantidade de passes errados das duas equipes. Tanto que faltava acertar o toque final para chegar próximo aos gols. Sendo assim, o gol que inaugurou o marcador no Rio de Janeiro saiu de uma falha da defesa. E foi a vascaína. Aos 23, a torcida palmeirense se encheu de esperança após sobre de cobrança de escanteio, a bola sobrou para Tiago Real fazer novo cruzamento da direita, Dedé e cia. ficaram apenas observando o zagueiro Wellington tocar de cabeça. Fernando Prass ainda conseguiu salvar no primeiro lance, mas na sobra Luan aproveitou nova falha de Dedé e empurrou para a rede. 1 a 0 Palestra.

Mas, para desespero da torcida verde, e para amenizar a revolta da pequena torcida vascaína presente em São Januário, o time da casa conseguiu empatar rapidamente. Aos 29 minutos, Wendel fez cruzamento da intermediária, Alecsandro cabeceou livre para o meio, e, mais livre ainda, Tenorio apareceu na pequena área para apenas empurrar para dentro, deixanto tudo igual. Mesmo abalando os visitantes, o gol de empate fez com que o jogo ficasse mais aberto, com os dois times buscando mais o campo de ataque.

Na volta para a etapa final, a bronca de Felipão deve ter surtido efeito. Ao sair para o intervalo, ele reclamou das poucas oportunidades de ataque criadas pelo alviverde. E seus comandados voltaram dispostos a mudar essa situação. Luan chegou ao menos duas vezes com perigo e Fernando Prass tranquilizou a casa. Por outro lado, os anfitriões, que quase nem chegavam ao ataque, aproveitaram a primeira grande oportunidade que tiveram. Seis minutos. Juninho levantou em bola parada, Nilton avançou completamente só e cabeceou de nuca para trás e venceu um caído goleiro Bruno.

A vantagem no placar acalmou o Vasco e o time conseguiu se postar ainda melhor em campo, enquanto o adversário passou a se lançar ao ataque, completamente desesperado e desorganizado. Gaúcho ainda mandou a campo Felipe, para segurar mais a bola. Do outro lado, Felipão sacou Tiago Real e mandou mais um atacante, Vinícius. Pouco tempo depois, trocou o inoperante Barcos por Obina. Nada deu certo. Pelo contrário. Aos 40 minutos, contra-ataque rápido e Tenório arrancou do meio campo, se livrou de alguns marcadores e serviu Juninho Pernambucano que, em velocidade, invadiu a área e só teve o trabalho de escolher o canto e deslocar Bruno, sacramentando o placar final. Vasco 3 x 1 Palmeiras.

O Palmeiras despencou ainda mais e o segundo pior time do torneio, apenas a frente do Atlético/GO. Luiz Felipe Scolari se reúne nesta quinta-feira com a diretoria do Verdão e deve encerrar a segunda passagem no comando da equipe. Para piorar, o próximo adversário palmeirense é o arquirival Corinthians. Já o Vasco parece estar se recuperando da fase difícil e Marcelo Oliveira chegará a uma equipe embalada pela boa vitória diante dos paulistas. O time da colina se mantém no G4, com 42 pontos.

Nos outros jogos da rodada 24, o Fluminense sofreu, foi dominado pela Portuguesa no Canindé, mas conseguiu fazer dois gols e bater a Lusa, fora de casa, seguino na ponta da tabela. Quem segue na cola do Flu é o Atlético/MG. O Galo recebeu e superou o São Paulo no estádio Independência. Dois pontos separam o Tricolor e os atleticanos.

O Corinthians voltou a não jogar bem e suou para alcançar o empate diante da Ponte Preta, no Pacaembu. Já o Santos voltou a se encontrar com a vitória. Contando com a volta de Neymar, o Peixe fez um jogo truncado diante do Flamengo, que também atravessa fase difícil, mas marcou com o camisa 11 e com Victor Andrade, para fazer dois a zero e mandar para longe a ameaça de aproximação da zona de degola.

(Fotos: Mauro Pimentel-Terra/ Léo Pinheiro-Terra/ Ramon Bitencourt-Agência Lance/ Guilherme Dionizio-Gazeta Press)

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