Desespero tomou conta…

Diego Ribeiro
GLOBOESPORTE.COM


O gol tardio de Barcos não enganou a torcida do Palmeiras, que vaiou o time ao final do empate com o Botafogo, neste domingo, em Araraquara. Alguns, já prevendo o desastre, choravam. O rebaixamento para a Série B, faltando quatro rodadas para o fim do Campeonato Brasileiro, é cada vez mais realidade pelos lados do Verdão. Fazer o simples nem sempre é tão fácil. O Palmeiras de Gilson Kleina é capaz de provar isso. No discurso, tudo muito bonito: não inventar, tocar fácil, fazer o básico. Na prática… Sabendo disso, o Botafogo de Oswaldo de Oliveira se portou de maneira correta, esperando a primeira falha palmeirense para armar o contra-ataque. O Verdão, mais uma vez, foi superior ao seu adversário. A irritação deu lugar à paciência, postura que animou o pequeno público presente em Araraquara – uma decepção, já que o time precisa demais do apoio do torcedor. Tudo ia bem, até que Maurício Ramos não fez o simples. Justo ele, que durante a semana cobrou tranquilidade dos seus companheiros. Aos 21, resolveu sair jogando, Andrezinho roubou, quatro botafoguenses dispararam e Lodeiro chutou, a bola caprichosamente bateu na trave e voltou na cabeça do uruguaio para fazer 1 a 0. O Botafogo, sim, fazia o básico.

Depois do gol, a torcida ensaiou um protesto, gritando que se o Palmeiras não ganhasse o “bicho ia pegar”. Ainda assim, o pirata Barcos acordou, buscou jogo, tentou tabelas. Mesmo assim, nada levava perigo à meta de Jefferson. Sem imaginação no meio-campo, sobrou para a bola parada de Marcos Assunção. Aos 28, cobrança de escanteio na cabeça de Patrick Vieira, que desviou para Barcos empatar, quase debaixo das traves. O coração palmeirense se esperava novamente.

O Botafogo começou o segundo tempo com marcação no campo de ataque, pressionando a saída de bola alviverde. Sempre com seu bloco de quatro jogadores bem definido: Andrezinho, Fellype Gabriel e Lodeiro em linha, e Bruno Mendes mais avançado. Mais ligado, o Alvinegro, enfim, descobriu o caminho para irritar um Palmeiras que vive altos e baixos na parte psicológica. Gesticulando muito, Oswaldo pedia para seus jogadores rodarem a bola de um lado a outro do campo.

Quando Gilson Kleina mandou Maikon Leite para o aquecimento, a sensação era de que ele sacaria seu jogador mais irritado. No entanto, o palmeirense ousou e tirou Artur, deixando a equipe com três atacantes para tentar retomar as rédeas do jogo. No plano tático, deu certo. O Verdão passou a pressionar, mandar no jogo. O panorama era todo alviverde. Faltou técnica. De novo, o “simples” não apareceu. Luan, duas vezes, Maikon Leite e Patrick Vieira tiveram a bola do jogo quase na pequena área, em lances semelhantes. Nas quatro vezes, perderam suas oportunidades. O castigo foi duro, quase um nocaute. De novo, Maurício Ramos, em dia para ser esquecido. Aos 18 minutos, ele perdeu uma disputa com Lodeiro, que cruzou na cabeça de Elkeson – o atacante acabara de entrar no lugar de Fellype Gabriel: 2 a 1 para o eficiente Botafogo.

Nos 30 minutos que sucederam o gol de Elkeson, o pesadelo das chances perdidas se repetiu no Palmeiras. E tome bola na trave de Maikon Leite, defesa de Jefferson em chute do mesmo atacante, tropeço de Patrick Vieira com o gol vazio, bola de Barcos que a zaga salva em cima da linha…O Palmeiras martelava, martelava, martelava… Torcedores se desesperavam nas arquibancadas. Nas finalizações, um verdadeiro massacre. Tinham sido 21 tentativas de gol verde contra sete do Alvinegro. Aos 45 minutos, Barcos, apareceu – de novo! – na sua missão de salvador. O argentino dominou no peito dentro da área, deixou a bola pingar e encheu o pé esquerdo no ângulo de Jefferson. Palmeiras 2 x 2 Botafogo.

No próximo domingo, se perder para o Fluminense em Presidente Prudente, o Palmeiras já pode ser oficialmente rebaixado, caso Bahia e Portuguesa vençam Cruzeiro e Botafogo, respectivamente. Já o Botafogo lamentou demais o gol sofrido no fim. O time foi aos 51 pontos e continua a oito do São Paulo. O Fogão encara a Lusa, sábado, no Engenhão.

No Morumbi, teve clássico das duas melhores equipes do segundo turno. Aliás, os atacantes Fred e Luis Fabiano são os principais artilheiros do campeonato e provaram que, com eles em campo, todo cuidado é pouco. Os zagueiros Gum, do Flu, e Rafael Toloi, do Tricolor paulista, não tiveram essa precaução. Falharam em lances capitais e permitiram o empate por 1 a 1. O jogo marcou o recorde de público desta edição do Brasileiro: 54.118 pagantes. O empate deixa o Fluminense, com 73 pontos, soberano na liderança e muito perto do título, com chances de ser campeão já no próximo domingo. Já o São Paulo, com 59, se consolida cada vez mais na quarta posição, a última do grupo que garante vaga na Taça Libertadores.

Nos outros jogos da rodada 34, Neymar deu show mais uma vez, e o Santos atropelou o Cruzeiro, fora de casa. O Sport manteve vivo o sonho de permanecer na Série A, passando por cima do desestruturado Vasco. O Bahia foi outro a aumentar suas chances de continuar na elite ao sair vitorioso do confronto direto contra a Portuguesa, no Canindé. E o Atlético/MG praticamente sepultou suas chances de ser campeão ao perder para o Coritiba, no estádio Couto Pereira.

*Rodada 34*
Sábado – 03/11/2012
Flamengo 1 x 0 Figueirense – Raulino de Oliveira/Volta Redonda(RJ)
Cruzeiro 0 x 4 Santos – Independência/Belo Horizonte(SP)
Grêmio 1 x 0 Ponte Preta – Olímpico/Porto Alegre(SP)

Domingo – 04/11/2012
Vasco 0 x 3 Sport – Volta Redonda/Rio de Janeiro(RJ)
São Paulo 1 x 1 Fluminense – Morumbi/São Paulo(SP)
Portuguesa 0 x 1 Bahia – Canindé/São Paulo(SP)
Atlético/GO 0 x 2 Corinthians – Boca do Jacaré/Brasília(DF)
Náutico 3 x 0 Inter – Aflitos/Recife(PE)
Palmeiras 2 x 2 Botafogo – Fonte Luminosa/Araraquara(SP)
Coritiba 1 x 0 Atlético/MG – Couto Pereira/Curitiba(PR)

CLASSIFICAÇÃO P
1 Fluminense 73
2 Atlético/MG 64
3 Grêmio 63
4 São Paulo 59
5 Inter 51
Botafogo 51
7 Vasco 50
Corinthians 50
9 Santos 46
10 Coritiba 45
Naútico 45
12 Flamengo 44
13 Cruzeiro 43
Ponte Preta 43
15 Portuguesa 40
Bahia 40
17 Sport 36
18 Palmeiras 33
19 Figueirense 29
20 Atlético/GO 23

(Fotos: Célio Messias-Agência Lance/ Helio Suenaga-Gazeta Press/ Edson Lopes Jr-Terra/ Giuliano Gomes-Gazeta Press)

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