Arquivo para 17 de setembro de 2012

Tranquilidade 2 x 0 Desespero

Alexandre Lozetti
GLOBOESPORTE.COM


Mais que um jogo. Palmeiras x Corinthians costuma ser um campeonato à parte. O vencedor volta para casa com sabor de título na boca. O perdedor quer sumir. E, neste domingo, o Timão deixou o Pacaembu com a sensação de ter empurrado ainda mais o Verdão na ladeira rumo à Segunda Divisão. Uma ladeira que parece cada vez mais íngreme. O Palmeiras apostou em vida nova, com tudo diferente após a saída de Luiz Felipe Scolari. Só o futebol não era novo. E o que dizer dos nervos? Tudo parecia sob controle, com a equipe trocando bolas e até chegando ao gol de Cássio, apesar de nenhuma jogada assim tão perigosa.

O ritmo do Timão era mais lento, mas o que será que tem esse Romarinho? O cara que havia acabado de chegar quando enfrentou o Palmeiras no primeiro turno e fez dois gols. O cara que foi à Bombonera dar o primeiro passo para o título da Libertadores. O cara que estava há oito jogos sem marcar… aos 21 minutos, após belo passe de Douglas para Martínez, Maurício Ramos conseguiu o desarme, mas Juninho não se deu conta de que estava num campeonato à parte. Tentou sair da área de cabeça baixa e, quando olhou para frente, Romarinho já havia roubado a bola e feito o gol. Já estava, aliás, comemorando em frente à torcida…do Palmeiras! Ele jura que se confundiu, pois normalmente quem fica ali no Pacaembu são os corintianos. Verdade ou não, a reação descabida de Luan e companhia provocou cartão amarelo ao autor do gol.

O árbitro Marcelo Aparecido de Souza não deu cartão amarelo a Luan por causar uma confusão generalizada, mas já havia dado antes por achar que o atacante do Palmeiras tentou simular um pênalti. Logo em seguida, quando Narciso já preparava Maikon Leite para substituir o jogador, visivelmente nervoso, o árbitro disse que viu um chute de Luan em Guilherme Andrade e o expulsou. Na sequência, um chute perigoso de Barcos e cartões a rodo: o Pirata, Martínez, Cássio, Artur. O primeiro tempo terminou com a tensão palmeirense exalando e contagiando a todos no estádio Paulo Machado de Carvalho.

Na volta para a segunda etapa, saída de Martínez para a entrada de Jorge Henrique, famoso provocador, que ouviu de Tite a instrução para pensar apenas em futebol. E com três minutos já obedeceu: de calcanhar, deixou Romarinho na cara do gol, mas o carrasco isolou. Com um jogador a mais e muito mais organizado, o Corinthians resolveu marcar no campo de ataque, uma de suas principais características. Não demorou muito, mais especificamente oito minutos, para que Danilo roubasse a bola de João Vitor e iniciasse o contra-ataque que passou por Romarinho, pelo pé direito de Douglas e pela cabeça de Paulinho antes de terminar na rede de Bruno. Um gol que levou a torcida alviverde ao desespero.

A imagem de São Marcos e do gerente de futebol César Sampaio nas tribunas dizia muito sobre a situação do Verdão. Ídolos que tanto fizeram pelo clube dentro de campo, agora impotentes diante de uma equipe nervosa e que vê o fundo do poço cada vez mais próximo. A sensação de que o placar era irreversível diminuiu o nervosismo, o Corinthians diminuiu novamente o ritmo, pareceu querer evitar problemas. O Palmeiras melhorou com as entradas de Obina e, principalmente, Tiago Real. Foi seu, por exemplo, o lançamento para Artur, que ajeitou de cabeça para Valdivia. O badalado chileno, completamente só, cabeceou para cima e perdeu um gol incrível. Seria o seu primeiro no Brasileirão. Antes, ele havia exigido de Cássio a defesa mais difícil da partida em chute de longe.

Os cartões continuaram a aparecer. Guilherme Andrade, Obina e Fábio Santos, que ganhou a faixa de capitão como presente pelo aniversário de 27 anos, foram os agraciados da vez. Já o futebol parou de aparecer, de ambos os lados. O “título” do dia é alvinegro. O desespero é alviverde. Palmeiras 0 x 2 Corinthians. No Verdão, se a permanência do interino Narciso dependia do resultado, a diretoria deverá procurar um novo comandante. Com 20 pontos, só não é o último colocado do Brasileirão porque tem uma vitória a mais que o Atlético-GO. É difícil imaginar o Palmeiras na Série A em 2013. O que foi apresentado nas 25 rodadas é pouco diante do que precisa ser feito nas 13 restantes.

No outro clássico paulista do final de semana, a torcida do São Paulo gritou o nome de quatro jogadores no Morumbi: o ídolo Rogério Ceni, o craque Lucas, o artilheiro Luis Fabiano e o santista Ganso. Sim, ele nem chegou, deve assinar contrato ainda nesta segunda-feira, mas já foi bem-vindo. Boas vindas à parte, vitória por 3 a 1 sobre a Portuguesa em que o talento individual se sobrepôs a uma atuação por muitas vezes atrapalhada e apressada. Talento principalmente de Lucas, que não fez o seu, mas infernizou os zagueiros e deu gols para Osvaldo, Cortez e Luis Fabiano decidirem o jogo.

Já no encontro entre os dois melhores ataques do país dentre os times do Campeonato Brasileiro, melhor para o segundo colocado da estatística. Mesmo atuando no Couto Pereira, o Santos virou para cima do Coritiba e venceu por 2 a 1, com mais inspirações de Neymar, autor dos dois gols santistas. Mas surpresa mesmo aconteceu nos jogos dos líderes do Brasileirão. O Náutico conseguiu anular os principais pontos do candidato ao título Atlético-MG e arrancou uma importante vitória por 1 a 0, no estádio dos Aflitos, em Recife. E no Rio de Janeiro, o Atlético/GO, lanterna, jogou como se tivesse a tranquilidade dos líderes. O Fluminense, primeiro colocado, atuou como se o mundo pesasse sobre seus ombros. A consequência natural da inversão de papéis foi a vitória do Dragão por 2 a 1, em Volta Redonda.

(Fotos: Ricardo Matsukawa-Terra/ Giuliano Gomes-Gazeta Press/ Dhavid Normando-Photocamera-Divulgação)

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