Arquivo para julho \26\UTC 2012

G10…nota 10!

Alexandre Lozetti
GLOBOESPORTE.COM


Pode um campeão da América estabelecer como meta ficar entre os dez melhores do Brasil? Pode. Agora pode! Era o que Tite queria. Enquanto as forças estavam voltadas para a Libertadores, seu Corinthians chegou a ficar na zona de rebaixamento do Campeonato Brasileiro. A meta inicial era modesta: chegar ao G-10. E foi alcançada. Com uma tática “Rothiana” de parar o jogo, a equipe mineira só conseguiu equilibrar no início, quando se posicionou mais à frente e Montillo teve certa liberdade para jogar. O camisa 10 estava veloz, com deslocamento e toques rápidos, mas foi perdendo os espaços, diminuindo o ritmo, até que o campeão da Libertadores já tinha domínio total.

Danilo participou muito do jogo e dava aquela velha impressão de ser impossível lhe roubar a bola. Numa de suas jogadas características, acertou um chute forte de fora da área, teve até auxílio de um desvio na zaga, mas Fábio espalmou. A movimentação dos corintianos confundiu o Cruzeiro, que mesmo assim perdeu a grande chance de abrir o placar. Em cobrança de escanteio, Leandro Guerreiro ficou de frente para o gol e, de pé esquerdo, chutou para fora.

Tantas faltas da Raposa, em algum momento, trariam prejuízo. Aos 20 minutos, quando Sandro Silva, que gosta de toques refinados, errou o domínio dentro da área, errou também o tempo da bola e acertou as pernas de Jorge Henrique: pênalti bem batido por Chicão. E o volante cruzeirense, que já tinha cartão amarelo, foi poupado pelo árbitro Leandro Vuaden. Mas não por Celso Roth. Era tão óbvio que ele seria expulso, que logo foi substituído por Fabinho. Esquema ofensivo incapaz de fazer os mineiros ameaçarem até o fim do primeiro tempo.

Na etapa final, o Corinthians manteve a postura do primeiro tempo até o Cruzeiro voltar a adiantar sua formação. Quando notou que estava exposto aos contra-ataques, o time paulista ficou mais precavido. Montillo, que estava sumido, apareceu, mas muito nas bolas paradas. Sim, o feitiço virou contra o feiticeiro e os mineiros passaram a ser parados com faltas. O argentino tentou cruzar, mas não achou a cabeça de nenhum companheiro. Tentou bater direto, mas não achou o ângulo de Cássio. Celso Roth trocou Diego Renan de lateral, da esquerda para a direita, e ele até conseguiu levar perigo, como numa dividida que acertou, sem intenção, o goleiro Cássio. As aparições ofensivas do Corinthians eram raras, mas perigosas, sempre com participação de Sheik e Romarinho. Velozes no contra-ataque, eles chegavam rapidamente à área e, quando conseguiam a finalização, paravam nas mãos de Fábio.

Tite tentou esquentar o morno fim de jogo no Pacaembu. O técnico chamou o peruano, de cabelo esquisito. Ele foi aplaudido pela Fiel desde o aquecimento e voltou a animar a arquibancada quando foi chamado pelo professor. Guerrero jogou sete minutos, agradou ao professor e ainda terá tempo de mostrar que é guerreiro como seus companheiros. Já Paulinho resolveu comemorar seus 24 anos em grande estilo. Segundos antes do apito final, acertou um belo chute no ângulo, após excelente troca de passes do ataque corintiano. Soprou as velinhas e fez mais de 30 mil convidados voltarem para casa com um presente. Corinthians 2 x 0 Cruzeiro.
Com a vitória, o Timão chega a décima colocação com 15 pontos. Ainda não é o “paraíso”, mas dá tranquilidade para, nas próximas rodadas, tentar se aproximar dos que estão à frente. Um deles, justamente o Cruzeiro (sexto colocado com 20 pontos), perdeu chance de entrar na zona de classificação para a Libertadores. No fim de semana, ambos voltam a jogar no domingo pelo Campeonato Brasileiro. O desafio do Timão será o lanterna Bahia, às 16h, no Pituaçu. Já a Raposa receberá o Palmeiras, às 18h30, no Independência.

Nos outros jogos da rodada 12, o São Paulo voltou a tropeçar. O Atlético-GO queria sair da lanterna, o São Paulo sonhava com o G-4. Quarenta e cinco minutos foram suficientes para que os dois times mostrassem suas realidades. O Dragão, que venceu por 4 a 3, deixou a impressão que fugir da zona de rebaixamento pode não ser uma tarefa impossível. Já o Tricolor, após duas eliminações na temporada (Paulistão e Copa do Brasil) e uma troca de treinador, mostrou que precisa de mais para não completar mais um ano sem título.

Em Porto Alegre, o Grêmio venceu o Fluminense por 1 a 0 e confirmou a boa fase no Brasileirão. Último invicto, o Fluminense perdeu pela primeira vez. Mas a liderança foi definida no clássico do Rio. No duelo dos maestros, aquele que suportou até o fim saiu vencedor do Engenhão. Em jogada de raça, Juninho Pernambucano deu assistência para Alecsandro marcar o único gol contra o Botafogo. Em sua segunda partida, o holandês Clarence Seedorf teve desempenho positivo, correu e participou mais do jogo do que na estreia, mas não foi capaz de se destacar, sendo substituído faltando 15 minutos e sofrendo a segunda derrota em dois jogos disputados.

(Fotos: Léo Pinheiro-Terra/ Carlos Costa-Futura Press/ Mauro Pimentel-Terra)

Anúncios

Palmeiras Campeão da Copa do Brasil 2012!!!

Alexandre Lozetti
GLOBOESPORTE.COM


Quando surgiu o Alviverde Imponente no gramado do Couto Pereira, onde a luta o aguardava, ele sabia bem o que vinha pela frente. Um Coritiba inflamado, empolgado, confiante, regido por fanáticos que se orgulham em chamar de “inferno verde” o ambiente criado para receber os rivais. Mas hoje o céu também é verde, no tom que estampa os corações de uma torcida que canta e vibra. O Palmeiras soube mostrar que, de fato, é campeão. É campeão de novo.

Parecia uma regra da final: o Coritiba só podia jogar por onde estava Rafinha. E o arisco camisa 7 começou pelo lado direito, onde logo conseguiu que seu marcador, Juninho, levasse cartão amarelo. Mas ser dependente de Rafinha não é bom sinal. Isso ficou evidente quando ele se jogou na entrada da área e também foi advertido pelo árbitro Sandro Meira Ricci, e quando justamente em seu lado o Palmeiras começou a dominar a partida. Juninho e Mazinho foram grandes, apesar dos nomes. Tabelaram, triangularam quando Henrique ou Betinho se aproximaram, e criaram chances que fizeram time e torcida do Coxa baixarem a bola. Um silêncio quase sepulcral quando Betinho, livre, finalizou para fora após cruzamento de Marcos Assunção. Sempre os cruzamentos do capitão…

Rafinha mudou de lado, foi para onde o campo estava em piores condições. E parecia que o Verdão do Paraná só chegaria com perigo se o Verdão de São Paulo errasse. Foi o que Thiago Heleno fez. Bobeou feio à frente de Everton Costa, atacante perigoso, “chato” para os zagueiros, mas sem faro de artilheiro. Ele rolou para Rafinha, que deu o maior susto em Bruno. O chute de pé esquerdo passou muito perto. A melhor chance dos anfitriões no primeiro tempo.

Marcelo Oliveira voltou do intervalo com Ayrton, um lateral mais ofensivo, no lugar de Jonas. Pediu que sua equipe jogasse mais bola. Atitude o Coritiba até teve. Povoou o campo de ataque, explorou os avanços de Rafinha pela direita e fez a bola chegar mais à grande área do Palmeiras. Mas faltava qualidade técnica, que o técnico tentou ganhar com a entrada de Lincoln no lugar do volante Sergio Manoel. E Marcelo, que havia errado nas substituições nos últimos jogos, mostrou o resultado de conhecer bem seu grupo. Aos 15, o meia sofreu falta, e o lateral bateu com perfeição, rente à trave. Gritou, mostrou o símbolo aos torcedores, quase arrancou a camisa. E deu o recado para os palmeirenses: “Ainda tem jogo!”.

Tem mesmo? Quatro minutos depois, falta para o Palmeiras na entrada da área logo depois. Muita reclamação do Coritiba. Dá para entender… Marcos Assunção. No mais importante de todos os gols de bola parada da segunda era Felipão, foi Betinho quem aproveitou o levantamento do camisa 20, e, de cabeça, tirou o grito preso há tanto tempo na garganta, no peito e no coração dos palmeirenses.

O Coritiba desabou. Por obrigação, colocou mais um atacante e passou a tentar e correr mais. Mas no fundo, todos sabiam que quem sofreu tanto para fazer um golzinho não conseguiria fazer três em pouco mais de 25 minutos. Ainda mais na “defesa que ninguém passa”. O relógio passou a ser o principal personagem da atração. Os últimos minutos já se transformaram no início da festa. Luan, que disputou machucado o fim da partida, e Felipão tiveram seus nomes gritados. Em meio aos torcedores, o suspenso Valdivia, o operado Barcos e o santo aposentado Marcos pareciam cidadãos normais, como esses palmeirenses que vão saíram de casa nesta quinta-feira sem medo de cruzar com um amigo torcedor de outro time, com um sorriso largo. Sorriso de campeão. Coritiba 1 (1) x (3) Palmeiras.

Destaque para o bicampeão da Copa do Brasil pelo Palmeiras Luiz Felipe Scolari. Era ele o técnico no primeiro título, em 1998. E foi o quarto título do treinador na competição – além do Verdão, levantou a taça com Criciúma (1991) e Grêmio (1994). Já o Coritiba perdeu a sua segunda final consecutiva (em 2011 foi derrotado pelo Vasco). O Palmeiras está garantido na Taça Libertadores de 2012. Algo muito, muito importante, principalmente porque o outro brasileiro que já carimbou vaga é o Corinthians, arquirrival e atual campeão. Título e classificação que podem fazer a equipe navegar em mares calmos, algo raro ultimamente.

(Fotos: Fernando Borges-Terra)

Debandada Fiel…

Após o título mais esperado dos 102 anos de história do clube, o Corinthians agora se preocupa em limitar a debandada geral dos campeões continentais, pensando na sequência da temporada, na qual o Timão segura a vice-lanterna do Brasileirão, e também no Mundial de Clubes, no final do ano, no Japão. Mas parece que os corintianos não têm obtido muito sucesso no objetivo de segurar suas peças. Tem muita gente já indo embora do time de Parque São Jorge.

-> Leandro Castán: o camisa 4 foi o primeiro a ter sua saída confirmada. Antes mesmo da partida decisiva diante do Boca Juniors, vazou a notícia de que o zagueiro estava vendido para a Roma, da Itália. O valor é de € 5,5 milhões (R$ 13,7 milhões) pelos direitos do atleta de 25 anos. Ele se juntará a mais quatro brasileiros: ao zagueiro Juan, ex-Flamengo, e aos meias Marquinho, ex-Fluminense, e Taddei, ex-Palmeiras, Fábio Simplício, ex-São Paulo. Em 109 jogos pelo Timão, ele anotou três gols, se sagrando Campeão Brasileiro e da Libertadores.

-> Gilsinho e Luis Ramírez: o atacante e o meia peruano deverão continuar atuando juntos. Os dois negociam com o Sport Recife. O presidente do clube pernambucano, Gustavo Debieux, anunciou nesta terça-feira que Gilsinho, de 28 anos já está mais avançado, praticamente acertado. Já o meia ainda negocia e deve acertar sua situação nos próximos dias. Segundo o mandatário rubro-negro, o clube paulista só deverá liberar o atleta na próxima semana.

-> Ramón: o lateral esquerdo reserva esteve no Rio de Janeiro nesta segunda-feira, e nesta terça esteve no Ninho do Urubu para acertar sua transferência para o Flamengo. O contrato de empréstimo foi assinado até o final da temporada.

-> Willian: o camisa 7 foi negociado junto ao Metalist, da Ucrânia. Triste por deixar o Timão, principalmente por estar partindo para um país que não se caracteriza por ser um grande centro do futebol europeu, o atacante admitiu que a ‘independência financeira’ pesou e foi vendido pelo valor de US$ 6 milhões, cerca de R$ 12 milhões. Ele atuará na equipe dos brasileiros Fininho, ex-Corinthians, Taison, ex-Internacional, Marlos, ex-São Paulo, e Cleiton Xavier, ex-Palmeiras.

-> Alex: o meia encabeça a lista dos que ainda não estão confirmados, mas que a torcida sente que pode perdê-los a qualquer momento. Mesmo com os rumores indicando que Alex não sairía com a conquista do título da Libertadores, a proposta do futebol do Oriente Médio balançou as estruturas do atleta, representantes do mesmo e do clube paulista. Os valores passados pelos intermediários da transação superam os R$ 16 milhões. No ano passado, o Alvinegro desembolsou aproximadamente R$ 14 milhões para comprá-lo do Spartak Moscou-RUS.

-> Paulinho: o caso mais difícil de segurar deve ser mesmo o do camisa 8. Um dos principais nomes na conquista do título da Libertadores, Paulinho recusou proposta vinda do futebol russo, mas uma proposta que chegou no início desta semana também agradou, e muito, o atleta e seus representantes. € 8,5 milhões, algo em torno de R$ 21,2 milhões. O volante, que já atuou fora do país, mas nos inexpressivos futebol da Polônia e da Lituânia, nâo escondeu que ficou seduzido pela proposta e tudo indica que ele deve mesmo partir, até porque os direitos do jogador não pertencem ao Corinthians. Os direitos econômicos de Paulinho são divididos entre o Audax (45%) e o BMG (45%), os outros 10% dividem-se entre Bragantino e Corinthians.

(Fotos: Uol/ Marcos Ribolli-Globoesporte.com/ corinthianismo.com/ Alejandro Pagni-AFP/ Rodrigo Coca-Fotoarena)

Obrigado, mais uma vez, Miltãããooo…

Marcelo Prado
GLOBOESPORTE.COM


Na partida que marcou as despedidas do interino Milton Cruz, já que Ney Franco se apresentará nesta segunda-feira, e Lucas, que vai defender o Brasil nas Olimpíadas de Londres, o time aproveitou-se de um Coritiba reserva e venceu por 3 a 1. Na base da velocidade, dominou a maior parte do duelo e agradou o seu novo técnico, que assistiu ao jogo em um camarote do Morumbi. Sem o suspenso Luis Fabiano, Milton Cruz – que fazia sua segunda e última partida como interino – apostou na velocidade e deu uma chance ao baixinho Osvaldo. Rodrigo Caio, outra novidade na equipe, tinha liberdade para flutuar entre o meio-campo e a defesa, para fazer o zagueiro da sobra. No Coritiba, como já era esperado, Marcelo Oliveira mandou a campo um time com apenas um titular, poupando os principais jogadores para o duelo decisivo de quarta-feira. E Emerson só entrou em campo porque está suspenso do duelo do meio de semana.

Osvaldo, no primeiro ataque, só não marcou porque foi desarmado por Luccas Claro na hora do chute. Logo depois, Bruno Fuso fez bela defesa em cabeçada de Edson Silva. O Tricolor pressionava a saída de bola paranaense e, em uma roubada de bola, abriu o marcador. Aos 14 minutos, Douglas tomou a bola de Chico e tocou para Jadson, que, de pé direito, acertou o ângulo de Bruno Fuso: 1 a 0 no marcador.

A partir dos 20, a partida mudou de figura. Em vantagem, o São Paulo diminuiu seu ritmo para tentar encaixar um contra-ataque, enquanto o Coritiba foi obrigado a sair para o jogo. Aos 23, Anderson Aquino, após passe de Tcheco, só não empatou porque Denis fez grande defesa. A partir do momento em que o time paranaense forçou o ritmo, a marcação tricolor começou a dar vacilos. Rodrigo Caio foi definitivamente colocado como volante. No momento em que o Coritiba já tinha mais posse de bola, o São Paulo marcou o segundo gol. Osvaldo recebeu de Maicon pela esquerda, foi ao fundo e cruzou para Maicon, que bateu de pé esquerdo, rasteiro, sem chance para Bruno Fuso.

Os dois times voltaram sem alterações para o segundo tempo. A etapa complementar recomeçou com o São Paulo tendo o controle total da partida. Com Tcheco e Lincoln bem vigiados, ficava difícil para o Coritiba levar perigo ao gol defendido por Denis. No ataque, os donos da casa chegavam fácil, mas pecavam nas finalizações de fora da área. Marcelo Oliveira tentou dar novo gás ao time com a entrada de Thiago Primão na vaga de Lincoln. Depois, Alex Santos entrou no lugar de Tcheco. Aos 18, Osvaldo, após passe açucarado de Lucas, acertou a trave direita de Bruno Fuso em chute de pé esquerdo. O jogo parecia estar controlado. Até que, aos 26, Cortez recuou a bola para Edson Silva, que, ao tentar chutá-la para longe, não percebeu a antecipação de Alex Santos e derrubou o adversário. Pênalti que Robinho bateu no canto direito de Denis para fazer 2 a 1.

Percebendo o crescimento do adversário, que se animou com o gol, Milton Cruz mexeu na equipe, colocando Casemiro e Cícero nas vagas de Rodrigo Caio e Maicon. O Coxa fez sua terceira mudança, com Rafael Silva no lugar de Anderson Aquino. Como na etapa inicial, no momento em que o Coritiba era melhor, o São Paulo fez o terceiro gol e matou a partida: Lucas deu nova assistência para Osvaldo, que avançou e tocou no canto direito de Bruno Fuso. São Paulo 3 x 1 Coritiba. Foi a segunda vitória consecutiva do Tricolor, que agora soma 15 pontos, quatro a menos do que o líder Atlético-MG, e chegou ao quarto lugar. O Coritiba, voltado para a decisão da Copa do Brasil, sofreu sua quinta derrota em oito partidas e caiu para o 16º lugar.

Nos outros jogos da rodada, o sábado foi de festa para os alvinegros. O Engenhão foi palco da apresentação de Seedorf e de uma boa atuação do Botafogo, que bateu o Bahia por 3 a 0. O destaque foi Cidinho, que fez sua primeira partida como titular neste Campeonato Brasileiro e marcou duas vezes. Também no sábado, a torcida colorada também fez muita festa. Depois de recepcionar o reforço Diego Forlán com a pompa e a festa mais do que merecidas, a torcida – e o próprio uruguaio, num dos camarotes do estádio – viu o Inter bater o Cruzeiro por 2 a 1.

Além deles, o clássico Fla-Flu que marcava os 100 anos do confronto, também chamou atenção. Assim como no jogo de cem anos atrás, foram os tricolores que comemoraram. Em tarde de festa – e chuva – Fred desencantou em seu sexto clássico contra os rubro-negros e marcou o único gol da partida, logo aos dez minutos. Na Vila Belmiro, o Santos desencantou. Sem ganhar desde o fim de maio e devendo boas atuações à torcida, o Peixe conquistou a primeira vitória no Campeonato Brasileiro ao bater o Grêmio por 4 a 2. Em Recife, aos 44 minutos do segundo tempo, os reservas do Corinthians deixaram escapar a segunda vitória consecutiva. Vacilo no fim que permitiu ao Sport chegar ao empate por 1 a 1.

Já o Palmeiras, queria adiar a partida contra a Ponte Preta, mas não conseguiu. Já era certo que a cabeça estaria longe dali, na quarta-feira, final da Copa do Brasil, contra o Coritiba. A Macaca, que nada tinha a ver com a história, fez seu papel em casa, contou com falha de Deola e conseguiu a sua segunda vitória no Brasileirão: 1 a 0, no Majestoso, em Campinas. Mas o líder contou com a ajuda de dois goleiros: Dida e Victor. Os gols de Marcos Rocha e Leonardo Silva contaram com falhas do experiente goleiro da Lusa, que até então não havia sido vazado na competição e a defesa alvinegra emplacou o quinto jogo sem ser vazada, graças principalmente às intervenções do recém-contratado e estreante Victor.

(Fotos: Fernando Borges-Terra/ Daniel Ramalho-Terra/ Wesley Santos-Futura Press/ Aldo Carneiro-AL-Divulgação/ Paulo Fonseca-Futura Press)

Corinthians Campeão da Libertadores da América 2012!!!

Alexandre Lozetti
GLOBOESPORTE.COM


Vai, Corinthians! Vai para as ruas, vai para o abraço do torcedor que te ama, vai para o pódio, vai levantar a taça que você tanto sonhou… Vai atravessar o mundo. Vai para o Japão! Cássio, Alessandro, Chicão, Leandro Castán, Fábio Santos, Ralf, Paulinho, Alex, Danilo, Jorge Henrique, Emerson, Julio Cesar, Danilo Fernandes, Welder, Marquinhos, Wallace, Ramón, Willian Arão, Ramírez, Douglas, Romarinho, Gilsinho, Willian, Elton, Liedson e Tite. Nomes que não vão constar em livros de História, mas estarão eternamente dentro dos corações e da memória de milhões de pessoas, que ensinarão aos filhos e netos quem foram eles, e o que foi o 4 de julho de 2012 para a nação corintiana. O dia da libertação. O dia da Libertadores.

O Corinthians entrou em campo invicto na Libertadores. O Boca Juniors foi ao Pacaembu sem ter perdido nenhum jogo fora de casa. Jogaço? Lutaço! Os primeiros minutos fizeram inveja a Anderson Silva e Chael Sonnen. Soco de Chicão em Mouche, empurrão de troco, tapa de Erviti em Paulinho… Mais tarde, ainda haveria exibição de “El Tanque” Santiago Silva, com cotovelada em Castán e tentativa de imobilização em Ralf. Futebol mesmo apareceu pelos pés de Sheik. Com velocidade, ousadia e toques rápidos, o camisa 11 era quem menos tinha medo da decisão. O camisa 1 do Boca caiu por três vezes no chão e não suportou a dor. Saiu aos prantos, consolado pelo técnico, o ex-goleiro Julio César Falcioni. E por ironia do destino, o reserva Sosa, pouco mais de um ano depois, voltou ao Pacaembu. Era ele o goleiro do Peñarol (URU), que perdeu a final da Libertadores de 2011 para o Santos.

Alex não confiou nem em Orion nem em Sosa. Tentou quatro finalizações de fora da área, sem sucesso. Do outro lado, Riquelme, que antes do jogo tomava água e gargalhava, foi só rascunho do grande jogador que entrou para a história. Era constrangedor seu esforço, em vão, para correr e achar os companheiros, limitados tecnicamente. Fim de primeiro tempo com a certeza de que o segundo não poderia ser pior.

O empate levaria o jogo para a prorrogação, e Riquelme, que mal conseguia jogar 90 minutos, parecia querer disputar 120. Rolou no chão, demorou para cobrar escanteio, mexeu com o equipamento dos fotógrafos e fez falta digna de jogador juvenil, logo aos oito minutos. Na cobrança, a bola esperou por um toque consciente, que veio do calcanhar de Danilo. Sheik, no lugar certo, na hora certa, fuzilou Sosa e deixou o Pacaembu em êxtase.

A vantagem expôs ainda mais a limitação do Boca. Riquelme, em atuação de dar pena, não criou nada. O único recurso, mesmo depois que Falcioni colocou o atacante Cvitanich no lugar do meia Ledesma, eram os cruzamentos. Os argentinos abriram o meio e se cansaram, cenário dos sonhos para o Corinthians garantir o título invicto. Mouche, sozinho, teve a única boa chance dos visitantes durante o jogo. Cabeceou nas mãos de Cássio. Uma caridade do atacante para que o goleiro, brilhante no mata-mata, pudesse aparecer na decisão.

Riquelme, de 34 anos, não era o único “velhinho” cambaleante em campo. Schiavi, aos 39, errou passe fácil no campo de defesa. Deu nos pés de quem não poderia dar. Daquele que nasceu para ser vencedor. Tricampeão brasileiro nos últimos três anos, Emerson arrancou para a glória definitiva aos 27 minutos. Deixou Caruzzo para trás como se o rival nem existisse e tocou com categoria. Não parou de correr nem na comemoração, quando foi perseguido pelos companheiros reservas e membros da comissão técnica, que estavam atrás do gol.

Daí para frente foi só festa. O Boca não tinha mais o que fazer, e os “antis” já nem secavam mais. A torcida orgulhosa por ter sido fiel e Fiel na Libertadores, viajou por alguns segundos. Lembrou-se do vacilo de Guinei, da cobrança de pênalti de Marcelinho Carioca, do “pega, pega” do Morumbi, do gol de Vágner Love e de ter descoberto quem era o Tolima. Exemplos que invertem a letra do hino. Teu passado é uma lição. Teu presente, uma bandeira. Enquanto os adversários terão de pensar em novas brincadeiras a partir de agora, a torcida grita “É campeão!”. Duas palavras que valem mais do que todas escritas acima. Corinthians 2 x 0 Boca Juniors.

Campeão. De forma invicta, oito vitórias e seis empates. O triunfo final sobre os argentinos selou a campanha com identidade. De um time sem estrela, que não se assustou com placares adversos, rivais tradicionais ou craques do outro lado. Que não se pressionou por nada e encontrou o equilíbrio (palavra idolatrada por Tite) entre lutar a cada centímetro de grama pela Libertadores sem tratá-la como um campeonato do outro mundo. De 6 a 16 de dezembro, o Corinthians tentará o bicampeonato mundial. Dessa vez, sem convite, sem a chance de enfrentar um brasileiro na final e tendo que ir ao Japão. Um mundial para ninguém botar defeito. Monterrey (MEX), Auckland City, da Nova Zelândia, e o poderoso Chelsea (ING) já estão classificados para a competição no fim do ano.

(Fotos: AFP/ Léo Pinheiro-Terra/ Reuters/ Fernando Dantas-Gazeta Press)

Eee Miltãããoo…

Tarcísio Badaró
GLOBOESPORTE.COM


Cruzeiro e São Paulo fizeram um grande jogo neste sábado, no Independência, em Belo Horizonte, e quem levou a melhor foi o Tricolor, em sua primeira partida após a saída do técnico Leão. O interino Milton Cruz, mais uma vez, assumiu o comando, mudou um pouco a cara do time, jogando com três zagueiros, liberando os avanços de Douglas e Cortêz. Mesmo assim, o Cruzeiro começou partindo para cima. A aposta celeste foi a velocidade de Fabinho pelo lado esquerdo. Mas, aos cinco minutos, quem chegou com perigo foi o São Paulo. Em contra-ataque rápido, Jadson finalizou com rente à trave. A pressão mineira não chegou a durar dez minutos. Logo o Tricolor começou a trocar passes no campo de ataque e a manter posse de bola. Aos 11, Douglas fez boa jogada individual pela direita e cruzou rasteiro. O zagueiro Rafael Donato, estreante da tarde pelo lado celeste, falhou feio, deixando a bola açucarada para Luis Fabiano bater no canto e abrir o placar.

O zagueirão de 1,93m nem teve tempo para se lamentar. Um minuto depois, se redimiu. Montillo bateu escanteio pela esquerda, e Donato, sozinho, subiu para empatar. O jogo ficou emocionante, e os visitantes precisaram de pouco tempo para voltar à frente no placar. Em jogada pelo meio, a zaga mineira deu bobeira novamente, e Lucas recebeu na entrada da área. O meia driblou Éverton e chutou no canto: três gols em pouco mais de 15 minutos.

O ritmo da partida diminuiu nos minutos seguintes. O São Paulo se encolheu, e o Cruzeiro passou a mostrar dificuldades na criação. Se o lado esquerdo era exigido, com Fabinho e Éverton, pela direita, além de improvisado, o zagueiro Léo estava solitário. Aos 31, o Cruzeiro perdeu aquele que era talvez seu melhor jogador em campo. Fabinho saiu machucado, dando lugar a Souza, que foi para a ala direita. Com a mudança, a Raposa passou a jogar no 3-5-2. O Tricolor também teve que mudar ainda no primeiro tempo. Rodolfo saiu machucado para a entrada de Paulo Miranda.

Mal o segundo tempo começou, o São Paulo marcou o terceiro gol. Após troca de passes, Cortez recebeu na cara de Fábio e finalizou. O goleiro celeste fez grande defesa. Na sobra, Jadson bateu no canto e marcou. Após o terceiro gol, parte da torcida celeste vaiou quando Rafael Donato pegou na bola. Mas as vaias nem tiveram tempo de ganhar corpo. Poucos minutos depois, após escanteio, o zagueiro fez de cabeça o segundo dele e da Raposa no jogo.

O Cruzeiro foi para o abafa. Wallyson entrou no lugar do volante Charles e deu mais opções de ataque. Aos 17, o Cruzeiro teve escanteio pela direita. Rafael Donato estava na área, e toda a torcida empolgou. A zaga paulista rebateu a cobrança, Lucas arrancou em contra-ataque pela direita, invadiu a área e sofreu pênalti. Luis Fabiano bateu no canto esquerdo, e Fábio defendeu. O Cruzeiro cresceu novamente. Tinga teve duas grandes chances de marcar. Mas não aconteceu. Os minutos finais foram lá e cá. O Cruzeiro pressionava, mas tinha dificuldades de finalizar. No contra-ataque, a velocidade de Lucas desorientava a defesa celeste. Wallyson levou perigo de um lado, Luis Fabiano respondeu. O Tricolor conseguiu segurar a Raposa até o fim, levou os três pontos para casa e aspira, agora, vida nova no Brasileirão. Cruzeiro 2 x3 São Paulo. A derrota acabou com a invencibilidade do Cruzeiro, que perdeu também a liderança. Já o São Paulo, que venceu a primeira fora de casa, chegou aos 12 pontos e encostou nos times que estão na ponta.

Nos outros jogos da sétima rodada, surpreendentemente, a Portuguesa encurralou o Santos no Canindé. Mas, mesmo assim, o clássico terminou zero na capital paulista. Grêmio e Atlético/MG fizeram um grande jogo em Porto Alegre. Enquanto o Grêmio ficou no meio do caminho entre o passado e o futuro, o Atlético-MG se decidiu pela segunda opção. Alheio às vaias da torcida ao eterno desafeto Ronaldinho e à expectativa pela estreia de Zé Roberto, Saiu dos pés do meia Bernard a jogada decisiva da partida – chapéu duplo na zaga que resultou no gol de voleio de Jô. 1 a 0 e Galo líder. E na Arena Barueri, nem parecia que o Palmeiras vai jogar uma final de Copa do Brasil daqui a quatro dias. Com apenas cerca de 2500 pagantes, o time começou em marcha lenta, irritou os torcedores, mas os três gringos da equipe resolveram e deram a vitória por 3 a 1 sobre o Figueirense. Os gols de Román e Barcos e a assistência de Valdivia para Maikon Leite foram responsáveis pela primeira vitória da equipe na competição, depois de sete rodadas.

(Fotos: Douglas Magno-Vipcomm-Divulgação/ Adriano Lima-Terra/ Eduardo Viana-Lancepress)

Anúncios