A quatro passos do paraíso…


O sonho do inédito título da Taça Libertadores da América para o Corinthians permanece vivo. Faltam apenas quatro jogos para o Timão alcançar o maior desejo de todos os corintianos. E foi de maneira épica que o alvinegro ultrapassou o maior obstáculo até aqui na competição continental em 2012. Jogando em um Pacaembu lotado, com a torcida fervorosa e apaixonado, como de costume, Tite e seus comandados receberam a excelente equipe do Vasco, que buscava o segundo título da Liberta, e não se intimidou com a pressão. Após o empate sem gols no jogo de ida no Rio de Janeiro, os cariocas viajaram até a capital paulista com o cenário de que um gol dificultaria e muito a vida do rival. O empate sem gols, levaria a decisão para os pênaltis. Qualquer outra igualdade, classificaria o Vasco e mais uma vez acabaria com o sonho corintiano.

Desde o apito inicial, as equipes se respeitaram muito, optando preferencialmente pelo cuidado com a defesa do que com o setor ofensivo. Em outras palavras, preocupados mais em não tomar gols, do que em fazê-los. Por outro lado, raça e vontade não faltaram a nenhum de dois lados. E a Fiel torcida agradecia com um espetáculo nas arquibancadas. Mesmo com o introsamento de um bom tempo jogando junto, o time de Parque São Jorge sentia falta de um centroavante. O meio conseguia criar, mas faltava alguém para chegar com uma boa finalização. Liedson, em má fasé principalmente física, assistia o jogo do banco de reservas. Danilo atuava como armador, Emerson e Jorge Henrique abriam um de cada lado e Alex tentava ‘quebrar o galho’ dentro da grande área adversária. Já do outro lado, o ótimo elenco vascaíno proporcionava ao técnico Cristóvão Borges bom ritmo de jogo com Juninho e Diego Souza armando a equipe e Éder Luís e Alecsandro mais à frente, aliando velocidade e técnica na chegada ao ataque.

Tamanha era a vontade e a entrega de todos os jogadores, que as chegadas mais duras acabaram acontecendo. Leandro Vuaden tentava segurar o ímpeto dos atletas, contrariando seu estilo de arbitragem que tradicionalmente é e deixar o jogo seguir com mais frequência. Nas bolas paradas, melhor para quem tem Juninho Pernambucano. O camisa 8 sempre arrepiava os cabelos do torcedor corintiano nas finalizações, principalmente nas cobranças dessas faltas. Em uma das entras com intensa vontade, Eder Luis e Jorge Henrique dividiram, se estranharam, encostaram cabeça com cabeça e receberam cartão amarelo. O lance de maior perigo da etapa inicial foi pelo alto. Cruzamento de Fábio Santos pela esquerda e, vindo de trás como de costume, Paulinho subiu com liberdade e cabeceou bonito. Mais bonita ainda foi a linda defesa do goleiro Fernando Prass, mandando para fora. Mal sabiam todos que era um prenúncio da decisão da partida…

O segundo tempo começou com tensão ainda maior do que o primeiro. Conforme o tempo ia passando, a responsabilidade em não errar, em não correr riscos de se aproximar da eliminação ia aumentando cada vez mais. Na altura da metade da segunda etapa, Paulinho arrancou pelo meio e avançava em dureção à área. Porém, os defensores rivais não o permitiram chegar e o desarmaram. Talvez faltosamente. Leandro Vuaden não marcou, para revolta de Tite. Começava aí mais um drama corintiano. O árbitro do jogo não gostou das reclamações do treinador alvinegro e expulsou Tite de campo. O Corinthians perdia seu comandante à beira do campo. Para piorar, logo na saída de Tite, os anfitriões foram todos para a área para uma bola levantada. A defesa vascaína afastou e ela ficou nos pés de Alessandro, o último homem da defesa, já no círculo central. O camisa 2 olhou pra frente, ia despachar a bola, mas Diego Souza foi mais esperto e interceptou o passe, dominando a bola e saindo correndo ao ataque, de frente para o gol e para o goleiro Cássio, sem nenhum defensor à sua volta. Era a bola do jogo. O Vasco provavelmente eliminaria o Cornithians ali. E assim não aconteceu. O goleiro, que no começo da Libertadores era a terceira opção de Tite, cresceu para cima do camisa 10 do Vasco, que bateu fraco no canto. Cássio espalmou e salvou o Timão. Para aumentar o desespero corintiano, na sequência, na cobrança desse escanteio, Nilton testou e a bola bateu no travessão.

A inexistente ‘morte súbita’, que antigamente determinava que o autor do gol vencesse a partida automicamente, ressucitou no gramado do Pacaembu após os 30 minutos. Mais psicológicamente do que outra coisa, ninguém poderia sofrer o gol. Tite, expulso, abriu mão de alguma cabine ou camarote do estádio e, surpreendentemente, apareceu no meio da arquibancada, misturado ao ‘bando de loucos’. Ao solicitar substituições para a equipe, inacreditavelmente, os jogadores iam até o alambrado para receber as instruções do comandante. Recuperado do susto, o Corinthians se refez e partiu para cima, encurralando o Vasco no campo de defesa. Porém, a arma utilizada não dava muito certo: os levantamentos para a área. Em um desses, Alessandro cruzou, Fágner ia subir para afastar mas Renato Silvacabeceou para trás. Émerson apareceu livre, bateu forte de pé direito, no cantinho. Fernando Prass foi buscar, encostou nela e a bola ainda bateu na trave.

Quarenta minutos passados e a decisão por cobrança de pênaltis já eram uma realidade na mente de corintianos e vascaínos. Mas, aos 42 minutos, da maneira mais ‘corintiana’ possível. Cobrança de escanteio. Alex levantou com categoria. Paulinho. Subiu mais uma vez com total liberdade, o zagueiro Rodolfo, estático, assistiu e torceu. Não teve jeito. Cabeceada perfeita do camisa 8 do Corinthians. No canto, sem chances de defesa para Fernando Prass. O Pacaembu explodiu de felicidade. Na numerada, Tite comemorou no meio da Fiel, junto a torcedores, segurança e alguns membros da comissão técnica. Drama, alegria, alívio, realização. O Vasco sentiu, não conseguiu mais nada nos pouco mais de três minutos de jogo que ainda aconteceram. O Corinthians está classificado para as semifinais. Corinthians 1 x 0 Vasco.

Com a vaga, o Corinthians já iguala a melhor campanha em uma edição de Libertadores da América. Como em 2000, quando foi eliminado pelo rival Palmeiras, o Timão está na semifinal e agora espera. Espera pois ainda não sabe qual será o adversário. Muito embora, o mais provável seja outro rival: o temido Santos. Na notie desta quinta, o Peixe recebe o Vélez Sarsfield, no jogo de volta, na Vila Belmiro. Na primeira partida, os argentinos venceram por 1 a 0 e jogam pelo empate. Porém, se o Vélez eliminar o atual campeão da Libertadores, o chaveamento se altera. Isso porque, se teve drama no Pacamebu, o pesadelo foi muito pior no Engenhão. Depois de perder o jogo de ida por 1 a 0 na Argentina, o Fluminense recebeu o Boca Júniors e vencia pelo mesmo placar, que levava a disputa aos pênaltis, até os 45 minutos do segundo tempo quando, em um bate e rebate na grande área, Santiago Silva apreceu para mandar para a rede e eliminar o Tricolor da competição. Com isso, como não pode haver uma final com equipes do mesmo país, se o Vélez se classificar, enfrenta o Boca em uma das semifinais. Caso isso aconteça, o adversário corintiano sai do confronto entre Universidad do Chile e Libertad. No primeiro jogo, no Paraguai, 1 a 1.

(Fotos: Ricardo Matsukawa-Terra/ Bruno Santos-Terra / AFP)

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