a,e, i… agora o Peixe é Tri!!!

Adilson Barros e Julyana Travaglia
GLOBOESPORTE.COM


Um esquadrão branco, com um ataque genial, imprevisível, artilheiro. Muitas vezes, o Santos foi descrito assim nos anos 60, quando Pelé e seus companheiros chacoalharam a América. O mesmo texto agora, 48 anos depois, serve para o time de Neymar, Ganso, Elano, Léo, Dracena, Arouca, Durval, Rafael. Sim, o Santos é, novamente, campeão da Taça Libertadores. Tricampeão.

Buscando acabar logo com o nervosismo e a angústia das arquibancadas, o Santos entrou em campo querendo um gol rápido. Os comandados de Muricy Ramalho acreditavam que, na pressão, o Peñarol se abriria. Puro engano. Apesar de boas investidas e jogadas inspiradas de Ganso, que acertou ótimos passes, faltou o chute certo. Os números dos primeiros 45 minutos ratificaram o domínio santista. O Peixe teve 67% de posse de bola, contra 33% do seu rival. Foram oito arremates ao gol uruguaio, contra apenas um dos carboneros.

O astro Neymar esteve sempre cercado por três jogadores. Gingava de um lado para o outro sem conseguir abrir o espaço. À medida que o tempo passava e o gol não saía, o Pacaembu ia murmurando, apreensivo. O goleiro Sosa brilhou em cobrança de falta de Elano da entrada da área aos 19. O Peñarol, limitado tecnicamente, se resumia a bloquear as investidas do adversário. Segurava o Santos, tentava encaixar um contra-ataque, que não veio em toda a primeira etapa. Assim, o jogo ficou morno. O Peixe murchou, perdeu o ritmo e passou a errar alguns passes, Arouca, visivelmente em uma má noite, principalmente. Mas quem disse que seria fácil? Era final de Taça Libertadores.

Má noite? Logo no terceiro minuto da etapa complementar, o camisa 5 mostrou o verdadeiro Arouca. E lá veio ele, em desabalada carreira. Uma arrancada mágica, uma tabela esperta com Ganso, que tabelou de letra, Arouca passou para Neymar, que, enfim, soltava o grito preso na garganta do torcedor nas arquibancadas. Um chute rasteiro no contrapé do goleiro. Neymar, histórico. Em seu camarote no Pacaembu, Pelé vibrava, reverenciando seu sucessor. Em campo, o craque alvinegro chupava o dedo, homenageando Mateus, que chega em novembro. O filho do ídolo santista vai nascer campeão continental.

O jogo continuou. Claro. Faltavam ainda longos minutos. Nas arquibancadas se abraçavam e choravam. Não dava para fazer os ponteiros correrem mais rápido? Não dava. Então, o Peixe tratava de dar as cartas em campo. A diferença técnica entre os times era gritante. O Santos, agora, tinha espaços para matar o jogo. O Peñarol tinha dificuldades para sair jogando. Não parecia possível o título escapar. Absolutamente. O Santos continuava em cima, muito melhor, trocando passes, colocando os uruguaios na roda. Então, aos 23 minutos, Danilo arrancou pela direita, deixou o marcador para trás, cortou para dentro e entrou para a história. Pé esquerdo, canto direito do goleiro. Nova explosão no Pacaembu. Choro, abraços. O título ainda mais próximo.

Mas nada com o Santos foi fácil nessa Libertadores. Faltando dez minutos para o final, o Peñarol mostrou suas garras. Numa escapada pela direita, a bola cruzada, desvia em Durval, que tentou rebater e entra. A partir daí, os uruguaios esboçaram uma pressão em busca pelo gol de empate, que levaria a partida à prorrogação. Mas, foi apenas um susto passageiro. Logo o Peixe retomou o dominio e teve até chances para marcar mais gols, principalmentes em chances inacreditáveis com Paulo Henrique Ganso, que perdeu chance de dentro da pequena área, Neymar, que em contra-ataque acertou caprichosamente a trave, e com Zé Eduardo, que teve sua última chance de gol com a camisa do Peixe (já que está vendido para o Genoa, da Itália) no rebote desse mesmo chute na trave de Neymar. Não precisou. O árbitro encerrou o jogo e decretou o tricampeonato santista. Santos 2 x 1 Peñarol.

Após o apito final, cenas fortes e totalmente desnecessárias. Jogadores das duas equipes trocaram agressões em campo, em uma intensa e extremamente violenta batalha campal, diante de uma Polícia Militar que pouco fez para conter os brigões. Conflito esse que, no entanto, não acabou com o brilho da conquista do Peixe.

O Peixe e sua nova geração de ouro caminham a passos largos para ser campeão de tudo em 2011. No início do ano, manteve a supremacia em São Paulo. Agora, tornou-se rei da América. O terceiro passo poderá ser dado em dezembro, quando a equipe de Muricy Ramalho terá o Mundial de Clubes da Fifa pela frente e, provavelmente, o temido Barcelona. Será a chance de poder ver um duelo fabuloso: Neymar x Lionel Messi. Parabéns, Santos e santistas. A América, de novo, é de vocês.

Anúncios
  1. No trackbacks yet.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Anúncios
%d blogueiros gostam disto: