Arquivo para 6 de maio de 2011

“Ta certo que o pessoal está desanimado, mas podiam me avisar no vestiário que eu não entrava em campo”

Diego Ribeiro e Luciano Balarotti
GLOBOESPORTE.COM


A frase do consagrado goleiro Marcos, que voltou ao time depois de três meses fora, após a partida resumiu como foi o retorno dele ao gol do Verdão depois de tanto tempo longe. Coritiba e Palmeiras tinham o mesmo sentimento antes do duelo de ida das quartas de final da Copa do Brasil: seria o desafio do ano para os dois lados. Mas parece que só o Coritiba levou essa motivação a campo. O “inferno verde” promovido pela torcida do Coritiba antes do jogo já mostrava a pedreira que o Palmeiras teria pela frente. O que o time de Felipão não esperava era uma blitz tão intensa nos primeiros 20 minutos de jogo. Empurrado pelos quase 30 mil torcedores da casa, o Coxa mostrou que suas 23 vitórias seguidas – recorde nacional – não vieram por acaso. Olhando nome por nome, o Coritiba pode até não impressionar à primeira vista. Dentro de campo, porém, parece que os jogadores se conhecem há anos.

Logo aos dois minutos, quando veio cruzamento da direita, e a bola encontrou a cabeça do zagueiro Emerson, que quase abriu o placar, deixando o experiente Marcos, que voltava após longo período afastado por lesão, apenas torcendo para ela não entrar, foi possível começar a entender os motiv os de o Coritiba ser um time tão perigoso. Tocando a bola rapidamente e dominando o meio-campo, os paranaenses encontraram até com certa facilidade o caminho do gol diante de um Palmeiras atordoado, que tentava assimilar a pressão. Sem o principal pilar da defesa palmeirense (o zagueiro Thiago Heleno, suspenso) nas bolas aéreas, o Coxa chegou ao 1 a 0 em um lance que se repete no Palmeiras pelo terceiro jogo seguido – assim como foi contra Mirassol e Corinthians, o Palmeiras vacilou em um escanteio vindo da direita. Desta vez foi Emerson, aos 11 minutos, que subiu bem mais do que qualquer outro e cabeceou sem chances para Marcos.

O Santo, aliás, teve poucas chances de aparecer. Em sua única intervenção, é verdade, operou milagre em uma cabeçada fulminante de Pereira, à queima-roupa. Insuficiente para conter a “fúria” do Coritiba, que chegou ao segundo gol aos 22 minutos. Bill serviu o bom camisa 10 Davi, que invadiu a área e só completou de pé esquerdo para ampliar o marcador. E tome bola aérea, bola rasteira, pela esquerda, pela direita. O Coritiba queria mais. E nada de o Palmeiras acordar. Aos 43, para fechar um primeiro tempo quase perfeito, o time da casa fez 3 a 0 com Léo Gago. O chute de longe, despretensioso, que desviou em Danilo e acabou enganando Marcos, foi um retrato fiel dos 45 minutos iniciais: Coritiba iluminado, Palmeiras desnorteado.

Felipão bem que tentou mudar o panorama do jogo no intervalo. Tirou João Vitor, muito abaixo de seu potencial, e lançou Chico para reforçar o até então perdido meio-campo. No ataque, Wellington Paulista entrou no lugar de Patrik para fazer companhia a Kleber. Nos primeiros dez minutos, até houve equilíbrio na posse de bola. Até que Leandro Amaro derrubou Bill dentro da área. Pênalti marcado por Leandro Vuaden. Na cobrança, o próprio Bill, xodó da torcida e artilheiro da equipe, não deu chances a Marcos: 4 a 0, para o Palmeiras perder de vez a cabeça. O camisa 9 ainda cavou a expulsão de Rivaldo, minutos depois. Bastante irritado, o lateral-esquerdo palmeirense deu uma cotovelada no rival e foi denunciado pelo quarto árbitro.

O time ficou assim, apático. Parados, os jogadores apenas assistiam aos rivais tocando a bola embalados aos gritos de “olé” da massa que compareceu ao Couto Pereira. Os dois últimos gols foram muito fáceis, como em uma pelada. Em câmera lenta, Geraldo fez o quinto aos 46 da segunda etapa, praticamente sacramentando a classificação. Para fechar de forma perfeita, Anderson Aquino fez o sexto, deitado (acredite, deitado!), diante de um adversário já completamente vencido em campo. Goleada histórica. Coritiba 6 x 0 Palmeiras. Agora, são 81 gols na temporada e 24 vitórias consecutivas para a equipe do técnico Marcelo Oliveira.

Para se classificar para as semifinais da Copa do Brasil, o Palmeiras, que sofreu seu segundo baque em cinco dias, precisa bater os curitibanos no Pacaembu, na próxima quarta-feira, por inacreditáveis sete gols de diferença. Já o Coritiba, vai absolutamente tranquilo à São Paulo, mostrando as virtudes que o fizeram o campeão estadual invicto no Paraná.

Nos outros jogos das Quartas de final da Copa do Brasil, outro grande foi surpreendido. Sem perder nesta temporada , o Flamengo sentiu o gosto amargo da derrota pela primeira vez. Com uma atuação eficiente, o Ceará bateu o time rubro-negro por 2 a 1, no Engenhão, e conquistou uma boa vantagem. Com o resultado, o Ceará joga pelo empate no duelo de volta, na próxima quarta-feira, em Fortaleza. Caso o Flamengo vença por 1 a 0, o Vozão também seguirá na competição. O Rubro-negro precisa vencer por dois gols de diferença ou pela vantagem mínima, desde que marque três ou mais gols (3 a 2, por exemplo).

Na quarta-feira, o São Paulo fez a lição de casa no estádio do Morumbi e venceu o Avaí por 1 a 0, contando com um gol contra do zagueiro Revson.Com o resultado, o Tricolor joga com a vantagem do empate em Florianópolis, mas pode até perder por um gol, desde que marque fora de casa. Para o Avaí, valem dois resultados: repetir o 1 a 0 para levar a decisão para os pênaltis ou vencer por dois ou mais gols de diferença para se classificar.

E na Arena da Baixada, o Vasco jogou melhor que o Atlético-PR, chegou a estar na frente em duas oportunidades, mas cedeu o empate no fim: 2 a 2. Alecsandro e Diego Souza marcaram para o Vasco, enquanto Guerrón e Paulo Baier fizeram os gols do Furacão. A decisão da vaga será no dia 12, às 19h30, em São Januário. Empates em 0 a 0 e 1 a 1 dão a vaga ao Vasco. Um novo 2 a 2 leva a decisão para os pênaltis. Empate em três ou mais gols dá a vaga ao Furacão. Quem vencer o confronto avança na competição.

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