Arquivo para 29 de junho de 2010

Rumo á ‘Copa América’…

GLOBOESPORTE.COM

O sonho era comum: classificar o país pela primeira vez para a fase de quartas de final de uma Copa do Mundo. Com o mesmo objetivo, Paraguai e Japão se igualaram no tempo normal e na prorrogação do duelo desta terça-feira, no estádio Lotus Versfeld, em Pretória. E após mais de 120 minutos em que o empate resistiu em um jogo sem grandes emoções, os paraguaios foram mais eficientes na disputa de pênaltis. Com a classificação paraguaia, o Chile é o único sulamericano eliminado do torneio, perdendo para outro sulamericano, o Brasil. Sendo assim, existe a possibilidade dos quatro sulamericanos avançarem para as semifinais e transformarem a Copa do Mundo em uma espécie de ‘Copa América’.

O lateral Komano lamenta a perda do pênalti que eliminou o Japão


Para o duelo contra os japoneses, o treinador Gerardo Martino decidiu abandonar o esquema com três atacantes, procurando reforçar o meio-campo. Haedo Valdez perdeu o lugar no time, e Benitez ganhou a chance de iniciar a partida. Já Takeshi Okada, satisfeito com a atuação da equipe diante da Dinamarca, manteve os 11 que iniciaram o jogo que classificou o time para as oitavas. O Paraguai não encontrava facilidades para armar jogadas ofensivas. Nos 12 primeiros minutos, a seleção guarani teve 67% de posse de bola, mas errou 47% dos passes. Mas o Japão também abusava de errar passes. Mais da metade dos que tentou no primeiro terço do jogo (51%). As falhas resultaram uma partida feia, com chutões de ambos os lados. Alguns lances mais chamativos, mas nada que prendesse a atenção intensamente dos torcedores.

Com o fim do primeiro tempo, os jogadores paraguaios se reuniram no círculo central. Bonet e Da Silva falaram com os companheiros, tentando incentivá-los para a segunda etapa. O mesmo fizeram os japoneses ao retornarem ao campo. As ‘rodinhas’ serviram para os times mais ligados. Mas nos primeiros dez minutos, quem defendia prevalareceram sobre os que atacavam. Túlio Tanaka e Nakazawa impediram conclusões de Ortigoza e Benitez. Do outro lado, Villar defendia as tentativas japonesas, especialmente com Nagatomo.

Praticamente na metade da etapa final, Gerardo Martino decidiu retomar a formação tradicional do Paraguai, com Valdez no lugar de Benitez. E Takeshi Okada também procurou reforçar o ataque nipônico, com o atacante Okazaki no lugar do meia Matsui. Mas as dificuldades seguiram. O jogo ficou praticamente resumido a lançamentos longos e cruzamentos sobre a área. A partir dos 35 minutos, os asiáticos demonstraram mais interesse em evitar a prorrogação, chegaram a ensaiar uma pressão, mas os sul-americanos souberam se defender. O que melhor fizeram na Copa (apenas um gol sofrido em quatro partidas).

Veio a prorrogação e o nível da partida melhorou. O Paraguai foi mais incisivo, mostrando que não desejava levar a decisão da vaga para os pênaltis, assustando mais o adversário em dez minutos do que em todo o tempo normal. Foram três boas chances, em cabeçada de Barrios e conclusões de Valdez e Barreto. A última foi por cima do gol e as duas primeiras foram defendidas por Kawashima. Do outro lado, Villar também precisou trabalhar, espalmando uma falta cobrada por Honda. Na segunda etapa do tempo extra, as oportunidade de gols diminuíram, e os dois times, já receosos preferiram aguardar a sorte das penalidades.

Nos pênaltis, Barreto, Lucas Barrios, Riveros marcaram para o Paraguai. Após Endo e Hasebe balançarem a rede, Komano perdeu a terceira cobrança japonesa, carimbando o travessão. Valdez e Honda acertaram, e coube a Cardozo, que substituiu Santa Cruz na prorrogação, selar o triunfo paraguaio e levar o país pela primeira vez para o seleto grupo dos oitos melhores de um Mundial. Paraguai 0 (5) x (3) 0 Japão.

Freguês bom é freguês INsatisfeito…


Não poderia haver adversário mais adequado para um início de disputas eliminatórias na Copa do Mundo da África do Sul. Pelas Oitavas de final, o Brasil encarou o Chile. Desde que Dunga assumiu o comando técnico da Seleção, no final de 2006, eram cinco jogos e cinco vitórias diante dos rivais sulamericanos. E a sexta estava por vir. Além disso, por duas vezes os brasileiros eliminaram os chilenos de uma Copa do Mundo, na semifinal em 1962 e nas oitavas em 1998. E a terceira estava por vir.

O começo de jogo foi de domínio chileno. Não de muita pressão, é verdade, mas os segundo colocados do Grupo H dominavam a posse de bola (73% nos primeiros cinco minutos) e tentavam achar espaços na defesa brasileira. Mas a partir lá do décimo minuto, o Brasil começou a sair mais para o jogo e mandar o time do técnico ‘El Loco’ Marcelo Bielsa para o campo de defesa. As movimentações eram boas e bem rápidas, mas os erros de passes atrapalhavam o êxito das investidas. Chutes de fora da área, então, passaram a ser outra opção para o time de Dunga.

Uma das falhas brasileiras era a escassez de jogadas pelas pontas. E quando isso aconteceu, o resultado foi fatal. Aos 34 minutos, Maicon foi ao fundo, tentou o cruzamento e ganhou escanteio. Dani Alves não vinha acertando muitos cruzamentos, nem escanteios. Por isso, o próprio camisa 2 brasileiro assumiu o levantamento. E deu resultado. Maicon levantou com precisão e o zagueiro Juan subiu entre Lúcio, Luis Fabiano e os defensores chilenos, para cabecear de maneira perfeita e mandar no ângulo do goleiro Bravo. 1 a 0 Brasil.

Três minutos mais foram o suficiente para o time verde e amarelo deixar Dunga e os mais de 180 milhões de torcedores ainda mais tranquilos. Em contra-ataque rápido, Robinho carregou pela esquerda e entregou para Kaká no meio. O camisa 10, a seu estilo, com um toque apenas, acionou Luis Fabiano que, pelo meio, entre os zagueiros, saiu de frente para o gol. O atacante, que um minuto antes se atrapalhara sozinho em um toque de calcanhar, não se abateu, driblou o goleiro a seu estilo também e dobrou a vantagem. Teceiro gol de Fabuloso na Copa.

O Chile fez duas alterações para a segunda etapa, entrando Tello e Valdivia nos lugares de Contreras e González. Porém, o time de Bielsa continuava muito ausente do ataque, principalmente se tratando de estar perdendo por 2 a 0. Chegavam tímidamente, e mesmo assim continuavam a dar espaços. E os pentacampeões não perdoaram em mais um contra-ataque. Aos 14, Ramires fez desarme no meio do campo e acelerou ao setor ofensivo. Depois de passar por dois marcadores, tocou para Robinho que só tirou do alcance do goleiro e fez o seu primeiro gol na África.

Com a vantagem e a vaga consolidadas, o Brasil teria apenas que deixar o tempo passar e tomar cuidado com os cartões, Juan, Luis Fabiano e Ramires estavam pendurados. Até administrou bem a vantagem, mas quanto ao cartão, Ramires não conseguiu se dar bem. O camisa 18 acabou cometendo falta dura e desnecessária no meio de campo e levou cartão amarelo, seu segundo, não poderá jogar no próximo jogo. A partir daí, teve que esperar alguém levar o cartão para o fazer, Dunga resolveu mexer e poupar os outros pendurados de possíveis suspensões também. Luis Fabiano deu lugar a Nilmar e, tempo depois, Kaká foi substituído por Kleberson. No fim, Gilberto ainda estreou também, entrando no lugar de Robinho. Brasil 3 x 0 Chile.

E o Brasil encara seu segundo clássico, primeiro Portugal, na Copa do Mundo, em duelo que promete fortes emoções. Brasil x Holanda, sexta-feira, às 11h (de Brasília), em Porto Elizabeth, no estádio Nelson Mandela Bay.

Desempenho dos Brasileiros:
1- Júlio César – bom
2- Maicon – bom
3- Lúcio (c) – bom
4- Juan – bom
6- Michel Bastos – regular
8- Gilberto Silva – bom
18- Ramires – bom
13- Dani Alves – ruim
10- Kaká – regular
11- Robinho – regular
9- Luís Fabiano – bom *melhor da partida*
(21- Nilmar – regular)
(20- Kleberson – sem avaliação)
(16- Gilberto – sem avaliação)

Lucas Basilio